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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado iniciou nesta quarta-feira (29/04/2026) a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva preveem aprovação, mas com margem de votos reduzida, dependendo de senadores indecisos.
A votação é vista como um termômetro da relação entre o Planalto e o Senado. A indicação, feita no fim do ano passado, gerou tensão entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Embora a aprovação seja considerada provável, o processo expôs ruídos na articulação política.
Senadores indicam que Messias deve ser aprovado, mas com placar apertado e sujeito a oscilações. A ausência de um gesto público de Alcolumbre mantém parte dos parlamentares sem se posicionar, aumentando a incerteza.
Levantamento aponta 25 votos favoráveis e 22 contrários a Messias. Outros 34 senadores ainda não se definiram. Para ser aprovado no plenário, são necessários 41 votos.
O governo projeta entre 44 e 49 votos, apostando na votação secreta para atrair indecisos. O episódio da indicação de Flávio Dino, aprovado com menos votos do que o projetado, reforça a cautela.
Mudanças na composição da CCJ a favor do indicado foram articuladas pelo governo. Oposição também promoveu alterações. No entanto, o governo acredita ter maioria consolidada na comissão.
Messias intensificou contatos individuais com senadores, buscando apoio em conversas reservadas e adaptando seu discurso para reduzir resistências. Ele sinalizou um perfil institucional e menos intervencionista, além de defender apenas as hipóteses legais para temas sensíveis como aborto.
O principal ponto de tensão reside na postura de Alcolumbre, que não declarou apoio nem orientou sua base. Um encontro reservado entre Messias e Alcolumbre teria irritado o senador, diminuindo sua disposição para um gesto público.
O resultado da votação será medido após a sabatina, servindo de referência para a condução das pautas prioritárias do governo. Uma eventual rejeição de Messias seria um fato histórico, configurando rompimento entre governo e comando do Senado.
O processo de indicação ao STF envolve sabatina na CCJ e votação secreta no plenário, onde são necessários 41 votos para aprovação.