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O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reuniu-se reservadamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (4), um dia antes do encontro ampliado com ministros e economistas no Palácio da Alvorada. A conversa, realizada fora da agenda oficial, foi revelada pela CNN Brasil e confirmada pelo UOL.
A informação acrescenta um elemento relevante às discussões sobre o futuro político do governador, citado entre os possíveis nomes para o Ministério da Fazenda. Fonteles não participou da reunião de quinta-feira (5), mas havia mantido contato direto com o presidente na véspera.
O encontro reservado impede que sua ausência na discussão coletiva seja interpretada, isoladamente, como afastamento das articulações. Ao mesmo tempo, a conversa não comprova convite para um ministério: o relato consultado não apresenta detalhes da pauta nem anúncio de uma decisão sobre a Fazenda.
Na reunião ampliada, Lula recebeu o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Também participaram integrantes do governo e economistas próximos ao presidente, entre eles Laura Carvalho, Eduardo Moreira e Luciano Coutinho.

As duas agendas revelam formatos distintos de interlocução: uma conversa individual com o governador e uma discussão coletiva sobre economia. Sem informações públicas sobre o conteúdo do encontro reservado, não é possível estabelecer se houve negociação de cargo ou qual espaço Fonteles ocupa na preferência presidencial.
Escolha dos ministros ainda depende das prioridades de Lula
O calendário apresentado pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, também recomenda cautela com conclusões antecipadas. Em entrevista ao Metrópoles, repercutida pelo UOL nesta sexta-feira (6), ele afirmou que Lula deverá tratar da composição do novo governo depois de retornar da COP31, na Turquia.
Segundo Dias, o presidente pretende definir primeiro a missão de cada pasta e, a partir disso, selecionar os responsáveis por executá-la. A escolha dos nomes estaria, portanto, subordinada ao desenho das prioridades do próximo mandato.
“Eu tenho que saber primeiro qual é a missão que eu vou dar para cada ministério”, disse Dias, ao reproduzir a orientação atribuída a Lula.
Para Fonteles, esse cenário mantém a possibilidade de participação no governo federal em aberto, sem assegurar a nomeação. O encontro reservado comprova a existência de interlocução; não permite concluir que a decisão esteja tomada.
Governador havia negado discussão sobre cargos
Antes da conversa de quarta-feira, Fonteles havia se manifestado publicamente sobre as especulações. Em 29 de outubro, afirmou que não discutira com Lula ou com outras pessoas a possibilidade de ocupar um cargo no próximo mandato, nem a política econômica do futuro governo. A declaração antecede o encontro agora noticiado e não esclarece o conteúdo dessa reunião posterior.
O governador também tem defendido publicamente o equilíbrio das contas. Na segunda-feira (2), ao anunciar a permanência de seu secretário estadual da Fazenda, reforçou a importância da responsabilidade fiscal para sustentar políticas públicas.

A informação sobre a conversa com Lula muda o contexto da ausência no Alvorada, mas preserva a principal indefinição: não há, nas fontes consultadas, confirmação de convite a Fonteles ou anúncio presidencial sobre quem comandará a Fazenda. O próximo marco indicado por Wellington Dias é o retorno da viagem internacional, quando a discussão sobre nomes deverá avançar.