A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS viveu uma sexta-feira (27) de intensas articulações políticas. O governo e o Centrão promoveram a troca de diversos integrantes do colegiado na véspera da votação do relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL). O objetivo é barrar a aprovação do texto, que deve propor indiciamentos e apontar falhas em políticas do INSS.
A movimentação mais significativa foi a substituição do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) pelo deputado Delegado Fabio Costa (PP-AL) como suplente. Evair vinha votando com a oposição. Sua saída foi vista como estratégica para consolidar uma maioria contrária ao relatório. O parlamentar, no entanto, busca uma nova vaga na comissão, desta vez em um partido de oposição.
Ao longo de quinta (26) e sexta-feira, outras dez trocas foram formalizadas. Na Câmara, mudanças ocorreram em partidos como PL, PT, PCdoB, PDT, Republicanos e Avante. No Senado, senadores do PSD assumiram vagas. Parlamentares ouvidos pela reportagem apontam que, além da articulação política, algumas trocas tiveram motivação logística, visando garantir a presença de membros na sessão final, em meio ao esvaziamento de Brasília.
Diante do risco de derrota do relatório de Gaspar, aliados do governo já preparam um parecer alternativo. A CPI do INSS deve concluir seus trabalhos com a votação do texto que pode impactar a gestão do INSS.