Brasília, DF – 27 de março de 2026 – Parlamentares da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preparam um relatório alternativo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS. A manobra visa contrapor as conclusões do relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que segundo o governo, tem motivações eleitoreiras.
A avaliação governista é que Gaspar pretende usar a CPI para desgastar o governo petista e alavancar sua pré-candidatura ao Senado ou ao governo de Alagoas, com apoio do bolsonarismo. O documento paralelo, que conta com o aval do Palácio do Planalto, pode indiciar mais de 100 pessoas e mapeia oito núcleos de fraudes, incluindo o de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Um roteiro preliminar obtido pelo GLOBO detalha um esquema organizado em núcleos operacionais interligados, com funções específicas na execução das fraudes. O documento descreve seis etapas do funcionamento do esquema, desde a captação ilegal de dados até a celebração de acordos com o INSS para descontos associativos diretos na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas.
A CPI do INSS voltou ao centro da disputa política em ano eleitoral. O governo intensificou a atuação para o fim da prorrogação dos trabalhos após investigações sobre a relação do empresário Lulinha, filho do presidente, com o “Careca do INSS”. O Supremo Tribunal Federal (STF) contribuiu ao derrubar liminar que estendia o prazo da comissão.
Com a decisão do STF, a expectativa é que Gaspar apresente seu relatório nesta sexta-feira, 28. Governistas acreditam ter votos suficientes para rejeitar o relatório do relator e aprovar a versão alternativa. A estratégia foi discutida em reuniões, inclusive no Palácio do Planalto.
O deputado Alencar Santana (PT-SP) criticou a postura de Gaspar, afirmando que o relator demonstrou falta de imparcialidade e pré-julgamento, conduzindo a CPI com fins eleitorais. "O relatório dele será totalmente eleitoral, ele demonstrou ao longo da CPI que não tem imparcialidade", declarou Santana.
O ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL) é um dos citados no material governista. O documento aponta que ele admitiu ter recebido uma doação de R$ 60 mil para sua campanha ao governo do RS em 2022, de um dirigente de uma entidade supostamente envolvida no esquema. Lorenzoni rebateu, afirmando que o governo Lula quebrou o sistema de controle dos descontos associativos e que o governo Bolsonaro tomou providências para proteger aposentados.
Outros seis nomes ligados ao governo Bolsonaro são citados como supostamente envolvidos. O relatório alternativo também propõe encaminhamentos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, além de medidas institucionais e legislativas para combater fraudes e fortalecer a CGU.
Fonte: O Globo