O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, convocou para esta quarta-feira (25) um almoço com os demais ministros da Corte. O objetivo é tentar unificar o posicionamento dos magistrados e reduzir as tensões internas no tribunal. A iniciativa ocorre em um momento delicado, com a pauta de julgamentos trazendo casos de grande potencial de desgaste para o STF.
Apesar da tentativa de diálogo, a reunião enfrenta resistências. Pelo menos dois ministros já sinalizaram que não comparecerão ao encontro. A baixa adesão reflete a dificuldade da presidência em congregar a Corte diante de forte pressão externa e divergências internas.
Fontes reservadas indicam que o ambiente na Corte ainda está abalado por episódios recentes. Um ministro lembrou, em reserva, que uma gravação de encontro anterior entre magistrados contribuiu para aprofundar a desconfiança entre os pares, citando o caso que levou à saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master.
Desde que assumiu a presidência do Supremo em setembro de 2025, Fachin tem promovido almoços mensais. Inicialmente, os encontros visavam debater a pauta de julgamentos e questões internas. Contudo, a participação tem diminuído desde que o tribunal enfrentou uma de suas piores crises de imagem com os desdobramentos do caso Master.
O almoço desta quarta-feira coincide com a retomada do julgamento sobre os chamados "penduricalhos". A ação discute a legalidade de verbas indenizatórias que permitem a servidores públicos receber salários acima do teto constitucional. Decisões liminares dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que suspenderam esses pagamentos, estão em análise e o caso mobiliza o Judiciário e o Congresso.
Na quinta-feira (26), a Corte julgará a decisão do ministro André Mendonça, que prorrogou a CPI do INSS. Este tema também é sensível e pode intensificar o desgaste do tribunal, colocando-o no centro de uma disputa política.
Nos bastidores, ministros avaliam que a combinação desses dois julgamentos eleva a temperatura no STF e dificulta qualquer tentativa de pacificação interna. Há o temor de que as decisões nessas frentes aumentem a pressão do Congresso sobre a Corte, especialmente em um ano pré-eleitoral.
O GLOBO noticiou na semana passada que Fachin já havia se reunido com ministros mais críticos à sua gestão na tentativa de amenizar o clima interno. Entretanto, esse encontro acabou produzindo o efeito contrário, aprofundando o racha entre as diferentes alas do tribunal.
Fonte: O GLOBO