Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou "erros primários" e "exposição a riscos elevados" na operação frustrada de compra do Banco Master pelo BRB, banco estatal do Distrito Federal. A operação foi barrada pelo Banco Central (BC) antes de sua conclusão.
Técnicos do TCU identificaram que o BRB negociou ativos bilionários sem comprovação de sua existência e realizou a transação sem uma análise de risco detalhada (due diligence). A estrutura do negócio não possuía mecanismos adequados para mitigar os riscos envolvidos.
O relatório, encaminhado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, indica que os gestores do BRB continuaram as negociações mesmo diante de alertas do BC sobre inconsistências e indícios de fraude. A auditoria aponta "falta de diligência e possível gestão temerária" por parte do BRB.
O governo do Distrito Federal, controlador do BRB, tentou usar o TCU como instância recursal contra o Banco Central, apesar das falhas já apontadas na análise financeira do negócio. O TCU recomenda que o caso seja enviado aos órgãos de controle do DF para apuração de responsabilidades.
Auditorias internas do próprio BRB já haviam apontado falhas de governurança, concentração de poder e decisões tomadas fora das instâncias formais. Por outro lado, o TCU não encontrou impropriedades na atuação do Banco Central, cuja intervenção e liquidação do Banco Master em novembro de 2025 foram consideradas "medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada".