Conversas apreendidas pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger mencionam a entrega de um relógio de R$ 66 mil e de uma pintura avaliada em R$ 82,9 mil a Swedenberger Barbosa, assessor da Presidência e ex-número 2 do Ministério da Saúde, em 2024.
Luchsinger é amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois são investigados sob suspeita de tráfico de influência.
Segundo as mensagens, Luchsinger tentava viabilizar no Ministério da Saúde um contrato para uma empresa de produtos à base de cannabis medicinal. Ela recebeu R$ 1,5 milhão para atuar na negociação, mas o negócio não avançou.
Em um dos diálogos, Barbosa envia uma foto do quadro à lobista, acompanhada de emojis e de uma mensagem que foi apagada. Luchsinger responde: "Uma lembrança nossa pra vcs".
Em outra conversa, ela mostra a um amigo imagens de um relógio Cartier Tank e informa que o item custou R$ 66 mil. Em mensagem também apreendida, diz que está "levando um mimo" para Berger e comenta: "Chic o relógio né".
As mensagens ainda mostram Barbosa agradecendo uma festa de aniversário realizada em um camarote do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, durante um show. Ele classificou a celebração como "linda" e "impecável".
Além dos diálogos sobre os presentes, a investigação identificou pagamentos de R$ 217 mil feitos por Luchsinger ao ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele confirmou os repasses e afirmou que se tratavam de um empréstimo pessoal já devolvido.
Mensagens também indicam que a lobista determinou a um funcionário depósitos nas contas de dois servidores do Ministério do Desenvolvimento Social. Depois dos pagamentos, no fim de 2023, a empresa 3Structure IT venceu um pregão e assinou contrato de R$ 31,2 milhões com a pasta; em abril de 2026, firmou outro acordo, de R$ 19,2 milhões, com vigência até abril de 2031.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que Swedenberger Barbosa nega ter recebido os presentes ou qualquer vantagem indevida de Roberta Luchsinger. A pasta também afirmou que nenhum contrato do Ministério da Saúde resultou das propostas mencionadas. O Ministério do Desenvolvimento Social rejeitou a possibilidade de favorecimento e declarou que os servidores citados não tinham competência sobre a área da licitação.
As defesas de Luchsinger e de Lulinha não quiseram se manifestar. Em ocasiões anteriores, ambos negaram irregularidades.
Fonte: O Globo