Um e-mail analisado pela Polícia Federal mostra que Willer Tomaz reservou, em janeiro de 2024, um voo de Brasília para São Paulo para Flávio Bolsonaro, sua mulher e as filhas do casal em um jatinho operado pela empresa Prime You, que tinha Daniel Vorcaro entre os sócios.
A mensagem foi enviada em 13 de janeiro de 2024, com informações sobre a viagem prevista para o dia seguinte. O voo teria como destino o Aeroporto de Congonhas e seria realizado em um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR.
O documento foi extraído do celular de Willer, alvo de busca e apreensão em uma operação da Polícia Federal que investiga supostas fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A aeronave também foi usada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em agosto de 2025, segundo informação divulgada pelo colunista Lauro Jardim.
De acordo com a PF, a viagem não ocorreu nas condições indicadas na reserva. Registros migratórios apontam que Willer entrou no Brasil em 14 de janeiro de 2024, vindo da Cidade do Panamá, em outra aeronave privada, enquanto Flávio chegou ao país às 00h43 do dia seguinte, também procedente do Panamá, em um voo comercial.
Dados de plataformas de monitoramento aéreo mostram ainda que o Legacy 650 permaneceu em Brasília em 14 de janeiro e voou para Miami dois dias depois. Flávio foi procurado para comentar a reserva entre Brasília e São Paulo, mas não se manifestou.
Após a divulgação de outra viagem no mesmo jatinho, realizada em janeiro de 2025 entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília, Flávio afirmou que acreditava que a aeronave pertencia a Willer e disse não ter conhecimento da participação de Vorcaro na empresa. O advogado declarou que o banqueiro não pagou, autorizou ou participou do voo e que os passageiros viajaram como convidados, sem custos ou contrapartidas.
Vorcaro foi sócio da Prime You, empresa de táxi aéreo, até setembro de 2025. Documentos em poder da PF indicam que uma empresa ligada ao banqueiro detinha 33% da Fraction 024, proprietária do Legacy 650 de prefixo PP-NLR.
Fonte: O GLOBO