O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizou nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, uma correição extraordinária no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para levantar informações sobre processos relacionados a usinas de açúcar.
A Polícia Federal acompanhou a diligência. Em nota, Ramos afirmou que permanece no pleno exercício da jurisdição, julgando normalmente os demais processos sob sua responsabilidade, e declarou considerar natural e regular a atuação da Corregedoria Nacional de Justiça.
O TRF-1 confirmou o início da correição e informou que a Presidência determinou integral colaboração com as autoridades. Segundo o tribunal, foram autorizados o acesso às dependências, às informações e aos demais elementos institucionais solicitados.
A Corte também afirmou ter interesse no esclarecimento dos fatos e ressaltou que a realização da correição não representa antecipação de responsabilidade. O tribunal defendeu a presunção de inocência, o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Newton Ramos passou a ser citado após mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, fazerem referências ao desembargador e à advogada Camilla Ramos, sua mulher, como integrantes da chamada “Turma do KN”. O grupo faria alusão ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que já afirmou nunca ter trocado mensagens com Vorcaro nem autorizado terceiros a falar em seu nome.
O escritório do qual Camilla Ramos faz parte firmou contrato com o Banco Master para atuar em processos ligados ao setor sucroalcooleiro. O acordo previa honorários de êxito de 5% e poderia alcançar cerca de R$ 427 milhões, segundo informações publicadas anteriormente. O escritório afirmou que não recebeu valores a título de pró-labore ou de êxito.
A correição ocorreu um dia depois de o corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, determinar o cancelamento de 16 precatórios de empresas do setor sucroalcooleiro, avaliados em R$ 4,7 bilhões. Os créditos haviam sido negociados com o Banco Master e estavam depositados em contas judiciais; pela decisão, deverão retornar ao Tesouro Nacional.
Fonte: O Globo