O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como "ilações" o pedido de suspeição feito pela Polícia Federal (PF) para que ele se afaste da relatoria do caso Master. Em nota oficial, Toffoli afirmou que a PF não tem legitimidade para fazer tal solicitação, por não ser parte no processo.
O gabinete do ministro declarou que a resposta ao pedido será apresentada ao presidente da Corte, Edson Fachin. Toffoli se manifestou após a PF apresentar informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira liquidada pelo Banco Central, que continham menções ao ministro.
O caso Master chegou ao STF por meio da defesa de Vorcaro, que alegou que investigações citavam um deputado federal com foro privilegiado. Toffoli foi sorteado relator e determinou que o inquérito tramitasse diretamente no STF, decisão criticada por parlamentares.
O pedido de suspeição da PF cita uma viagem de Toffoli em avião de empresário para Lima, no Peru, acompanhado de um advogado de um dos executivos investigados. Segundo o autor do pedido, o fato comprometeria a isenção do ministro. Toffoli também foi alvo de pedidos de afastamento após reportagens indicarem a venda de participação em um resort por seus irmãos a um cunhado de Vorcaro.
A investigação principal sobre o caso Master deve ser concluída até 16 de março, segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Ele afirmou que as apurações avançam sem descartar nenhuma hipótese e que eventuais achados paralelos não serão ignorados.