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domingo, 08 de novembro de 2026

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ECONOMIA

Ex-diretor do BC critica proposta de André Lara Resende sobre a Selic

Ex-diretor do BC Rodrigo Azevedo critica a proposta de André Lara Resende para reduzir gradualmente a Selic e diz que debate gera "muito barulho".

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O ex-diretor de política monetária do Banco Central Rodrigo Azevedo afirmou, no sábado (7), durante conferência da MBA Brasil na Escola de Negócios Kellogg, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, que o debate sobre a proposta de André Lara Resende para reduzir gradualmente a Selic é "muito barulho por nada".

Lara Resende defende a redução da taxa para cerca de 7,5% ao ano em 12 meses, seguida pela manutenção dos juros em uma faixa preestabelecida. A ideia repercutiu no mercado financeiro e em Brasília após rumores de que teria sido apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a agenda econômica de um eventual quarto governo.

Segundo Azevedo, a proposta parte da premissa de que um ajuste fiscal será feito com credibilidade. Para ele, se essa condição for aceita, não seria necessário recorrer à proposta de Lara Resende para reduzir os juros.

O economista citou o governo de Michel Temer, entre 2016 e 2018, como exemplo de período em que medidas fiscais, incluindo o teto de gastos, teriam contribuído para a queda dos juros. Azevedo afirmou que, antes da pandemia, as taxas estavam entre 4,6% e 6%, com inflação na meta e câmbio estável.

Na avaliação de Azevedo, fatores estruturais mantêm os juros brasileiros acima dos registrados em países semelhantes, enquanto questões conjunturais ampliam essa diferença. Ele criticou o que chamou de modelo de política econômica dos governos do PT, com crescimento acelerado dos gastos e estímulo à demanda, o que, segundo ele, exige que o Banco Central mantenha os juros elevados para conter a inflação.

Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil da UBS Wealth Management, afirmou que o mesmo raciocínio se aplica à discussão sobre a meta de inflação, atualmente em 3%. Para ela, a elevação da meta não tem evidência empírica e, caso haja ajuste fiscal, seria possível alcançar juros reais e inflação mais baixos sem alterar a Selic ou a meta por decreto.

Fonte: O Globo

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