Ir para o conteúdo

sábado, 07 de novembro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

MUNDO

Investigação apura gelo e turbulência em queda de avião na Flórida

Investigadores analisam se gelo, turbulência e possíveis falhas humanas contribuíram para a queda de um Learjet que matou nove pessoas na Flórida.

Compartilhe
WhatsApp

Investigadores apuram se a formação de gelo, a turbulência intensa e possíveis falhas humanas contribuíram para a queda de um Learjet 60 que matou nove pessoas no domingo (1º), perto de Palm Beach, na Flórida, nos Estados Unidos.

O jato particular seguia de Austin, no Texas, para as Bahamas quando perdeu altitude rapidamente e atingiu uma estrada. A aeronave voava a cerca de 35 mil pés quando entrou em uma área de tempestade, por volta das 12h48.

Nas comunicações com o controle de tráfego aéreo de Miami, a copilota Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, relatou gelo leve e turbulência moderada. Especialistas avaliam, porém, que as condições podem ter se agravado durante o voo.

O gelo pode alterar o formato das asas, reduzir a sustentação e comprometer instrumentos que indicam velocidade e altitude. Segundo o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), uma camada de aproximadamente 0,6 centímetro na borda de uma asa pode provocar perda repentina de controle.

Robert E. Joslin, professor de engenharia aeroespacial da Embry-Riddle Aeronautical University, afirmou que a combinação de umidade e ar frio pode causar formação de gelo. Para Daniel Bubb, ex-piloto e professor da Universidade de Nevada, em Las Vegas, o Learjet pode ter enfrentado um acúmulo mais severo do que o inicialmente relatado.

Os investigadores também devem verificar se os sistemas de proteção contra gelo estavam funcionando e foram acionados corretamente. O Learjet 60 possui aquecedores elétricos, estruturas infláveis e um sistema que usa gases quentes do escapamento para aquecer partes da aeronave.

Mike McCormick, ex-diretor de controle de tráfego aéreo da Administração Federal de Aviação (FAA) e professor da Embry-Riddle, questionou se os pilotos tinham sido informados sobre as condições e se ativaram os sistemas necessários. O ex-investigador do NTSB Gregory A. Feith levantou ainda a possibilidade de uma tentativa de ganhar altitude ter contribuído para a perda de controle.

A turbulência também está sob análise. Nathalia relatou variações de altitude entre 600 e 700 pés, o equivalente a aproximadamente 180 a 210 metros. O piloto e colunista de aviação Patrick Smith afirmou que os estabilizadores horizontais podem ter sido danificados por uma turbulência excepcionalmente forte ou por uma reação inadequada dos pilotos.

Tom Chapman, integrante do NTSB, disse na segunda-feira (2) que havia indícios de que a aeronave começou a se desintegrar ainda no ar. As autoridades não confirmaram, até o momento, uma falha estrutural nem estabeleceram relação entre eventuais danos e a turbulência.

O NTSB considera que as condições meteorológicas tiveram participação importante, mas afirma que ainda é cedo para definir a causa do acidente. A investigação vai analisar os destroços, os registros de voo, as comunicações com o controle de tráfego aéreo e o funcionamento dos sistemas da aeronave.

Fonte: O Globo

Leia também