Favoritos e preferências ficam neste navegador, sem precisar de cadastro.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, sofreu impeachment em novembro de 2026, em meio à crise política provocada pela quebra do Ueno Bank e a protestos no país. A saída do líder, aliado do governo de Donald Trump, pode afetar a imagem regional do modelo paraguaio associado a políticas ultraliberais.
Fontes do governo brasileiro afirmaram que Brasília acompanha com preocupação os possíveis efeitos da crise e a necessidade de evitar uma deterioração política no país vizinho. Segundo essas fontes, a queda de Peña também pode enfraquecer a influência da gestão Trump na América do Sul.
Analistas avaliam, porém, que a mudança na Presidência provavelmente não alterará de forma significativa as políticas interna e externa do Paraguai. Pedro Alliana, vice-presidente que assume o cargo, deverá governar sob pressão e com forte dependência do Partido Colorado, segundo Flávia Loss, doutora em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo e professora do Instituto Mauá de Tecnologia.
O Partido Colorado, força política dominante no país desde 1947, apoiou a queda de Peña apesar de controlar a Câmara e o Senado. Para Loss, a permanência do grupo político no poder tende a preservar as relações de longo prazo do Paraguai.
Na avaliação da especialista, a aliança entre Assunção e Washington não dependia exclusivamente de Peña. Ela citou os interesses estratégicos dos Estados Unidos no excedente de energia elétrica de Itaipu, inclusive em projetos relacionados à instalação de centros de dados na América do Sul.
Para Juan Agulló, professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, ainda é incerto o alcance da mudança. Ele afirmou que Horacio Cartes, líder do Partido Colorado e ex-presidente, teve problemas com Washington após ser acusado de corrupção e obstrução de investigações de crimes internacionais, e que será necessário observar o alinhamento de Alliana.
Agulló também apontou um potencial elevado de instabilidade no curto prazo, especialmente até que o Banco Central devolva o dinheiro às pessoas afetadas pela quebra do Ueno Bank. Para Loss, a crise rompe parte da narrativa que transformava o Paraguai em símbolo de políticas neoliberais e das propostas de anarcocapitalismo associadas a Javier Milei.
Fonte: O Globo