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A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, tirou do presidente Donald Trump o controle da Câmara dos Representantes e do Senado e pode dificultar sua condução das guerras contra o Irã e entre Rússia e Ucrânia, além de afetar a relação com Israel.
A nova composição do Congresso assumirá em janeiro de 2027. Até lá, Trump manterá ampla autonomia para decisões militares e negociações diplomáticas, mas a oposição poderá fiscalizar operações, questionar gastos e influenciar a destinação de recursos internacionais.
O alcance da mudança dependerá da capacidade dos democratas de obter apoio entre republicanos. Para derrubar eventuais vetos presidenciais, os parlamentares precisarão de maioria de dois terços nas duas Casas.
A guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, foi apontada pelo próprio Trump e pelo vice-presidente JD Vance como um dos fatores da derrota republicana. O conflito também contribuiu para a alta dos combustíveis e para o aumento do custo de vida, segundo o conteúdo original.
O resultado elevou a pressão política por uma saída diplomática, mas não eliminou o risco de novos ataques. Governos do Golfo Pérsico avaliam que Trump passou a ter mais incentivos para buscar um acordo, enquanto analistas alertam que Teerã pode interpretar o enfraquecimento do presidente como uma oportunidade para exigir mais concessões.
O Congresso poderá convocar autoridades, examinar despesas de defesa e condicionar recursos à apresentação de uma estratégia para a guerra. Essas medidas, porém, não encerrariam automaticamente o conflito, já que Trump mantém atribuições constitucionais como comandante das Forças Armadas.
Em relação a Israel, Trump anunciou que pretende encerrar, ao fim de 2026, a ajuda militar americana ao país, estimada em cerca de US$ 3,8 bilhões por ano. Com o controle das duas Casas, os democratas também poderão ampliar a fiscalização sobre operações israelenses e propor restrições à venda de armamentos.
A assistência a Israel já enfrentava resistência entre parlamentares dos dois partidos, em meio às críticas sobre o número de civis palestinos mortos na Faixa de Gaza e à continuidade da violência na Cisjordânia. A nova configuração do Congresso também pode aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Na Ucrânia, a vitória democrata pode facilitar a votação de novos pacotes de ajuda financeira e militar, além de medidas para reverter decisões da Casa Branca relacionadas à flexibilização de sanções contra o setor energético russo. Parte dos republicanos também apoia a assistência a Kiev.
A aprovação de novos recursos não resolveria imediatamente as dificuldades ucranianas, incluindo a escassez de interceptadores americanos dos sistemas Patriot. A mudança no Congresso também não garante alterações nas negociações conduzidas pelo governo Trump, que pressiona Kiev por concessões enquanto mantém conversas econômicas com Moscou.
Fonte: O Globo