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A impunidade nos assassinatos de jornalistas subiu para 86% em 2024 e 2025, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nesta segunda-feira (2), Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.
O índice, que considera homicídios sem investigação concluída ou ainda em andamento, avançou um ponto percentual em relação ao levantamento anterior. A taxa havia caído de 95% em 2012 para 85% no relatório anterior.
O documento contabilizou 189 jornalistas, profissionais da imprensa e criadores de conteúdo envolvidos em atividades jornalísticas mortos no biênio, incluindo 14 mulheres. O número é 20% maior que o registrado nos dois anos anteriores e representa o período mais letal para a categoria na última década.
Dos mortos, 127, ou 67%, estavam em zonas de conflito, incluindo os Territórios Palestinos, o Iêmen e a Ucrânia. Em 2025, o Estado da Palestina registrou o maior número de casos, com pelo menos 32 assassinatos, segundo a Unesco.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, afirmou que jornalistas estão morrendo durante a cobertura de guerras e que os responsáveis frequentemente não são responsabilizados. Mariya Gabriel, vice-diretora-geral de Comunicação e Informação da organização, disse que o cenário representa uma mudança no panorama dos riscos enfrentados pelos profissionais.
O relatório aponta que 50 profissionais foram mortos em ataques com drones em 2024 e 2025. O número corresponde a 40% das mortes registradas em zonas de conflito e a cerca de 26% do total de assassinatos contabilizados no período.
A Unesco também registrou sete ataques que atingiram vários jornalistas, além de pelo menos 15 mortes de profissionais que usavam coletes de identificação da imprensa ou estavam em veículos sinalizados. O documento ainda menciona assassinatos ocorridos dentro das casas das vítimas.
Em países sem conflitos armados, a taxa de impunidade caiu de 94% em 2012 para 77% em 2026, segundo o relatório. Nessas regiões, 85 jornalistas foram mortos no biênio de 2024 e 2025, o menor número registrado em 18 anos.
Entre as 14 mulheres jornalistas assassinadas no período, 93% morreram durante a cobertura de conflitos. A Unesco também citou um estudo de 2025 da ONU Mulheres e do Centro Internacional para Jornalistas, segundo o qual 75% das jornalistas entrevistadas haviam sofrido algum tipo de abuso ou assédio.
Fonte: O Globo