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Pesquisadores identificaram 220 anúncios políticos produzidos com inteligência artificial nos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro de 2026. A veiculação dessas peças movimentou mais de US$ 137 milhões, segundo o Wesleyan Media Project.
Conhecida como “slopaganda”, a prática combina propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por IA. Republicanos e democratas utilizam a tecnologia, mas quase 81% dos anúncios identificados foram financiados por candidatos republicanos ou grupos ligados ao partido; os democratas responderam por 12%.
Os pesquisadores avaliam que o número real de anúncios pode ser maior. Apenas 27% das peças informaram que foram produzidas com inteligência artificial, segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do Wesleyan Media Project.
Em 2024, os gastos com esse tipo de propaganda somaram US$ 50 mil. Nos Estados Unidos, não existe uma regra federal que obrigue as campanhas a informar o uso de IA, embora alguns estados tenham criado normas para restringir a tecnologia na publicidade eleitoral.
Um dos anúncios mostra Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, segurando cartas com frases associadas à morte dos Estados Unidos e à celebração dos ataques de 11 de Setembro. O vídeo foi produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz, do Texas, e informa que teve auxílio total ou parcial de inteligência artificial.
O senador democrata Jon Ossoff, da Geórgia, classificou o crescimento da IA na propaganda eleitoral como “profundamente preocupante” e pediu a retirada de um anúncio que o mostrava em um salão de beleza. A peça, financiada pelo Senate Leadership Fund, sugeria que ele estaria “maquiando” seu relatório de prestação de contas e não informava o uso da tecnologia.
Segundo uma pesquisa realizada para a Fundação AAPC, 73% dos entrevistados consideram inaceitável o uso de IA em campanhas eleitorais. Um relatório do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York afirma que a “slopaganda” pode ser mais eficaz para mobilizar eleitores ou arrecadar fundos do que para influenciar a escolha de um candidato.
Fonte: g1