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O roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance, apontado como um dos maiores ataques do setor, reacendeu o debate sobre a cobertura de seguros para corretoras e empresas que armazenam ativos digitais.
O pagamento de uma indenização depende da forma como os ativos estavam armazenados, do método usado pelos hackers e das condições previstas no contrato. A regulamentação limitada e a oscilação dos preços também fazem com que seguradoras adotem cautela nesse mercado.
O seguro de ativos digitais pode proteger corretoras, custodiante e outras empresas contra roubos, ataques cibernéticos, falhas tecnológicas e problemas na guarda de criptomoedas. As apólices podem incluir a perda de chaves privadas, invasões de carteiras digitais e falhas em contratos inteligentes.
Entre as modalidades estão os seguros contra crimes, violações de segurança, erros e omissões, processos contra executivos e riscos relacionados a serviços de infraestrutura tecnológica.
Quando ocorre um ataque, os prejuízos podem ser pagos por uma combinação de indenização do seguro, recursos próprios da empresa e fundos de emergência destinados aos clientes. O valor depende do limite da apólice, da franquia e das exclusões contratuais.
A Binance criou, em julho de 2018, o Fundo de Ativos Seguros para Usuários, conhecido como SAFU. Segundo informações do site da empresa, o fundo reunia aproximadamente US$ 1 bilhão em ativos digitais em 2026, integralmente em bitcoin.
As apólices podem excluir perdas provocadas pela oscilação dos preços, fraudes cometidas pelo próprio segurado e falhas ou negligência na proteção das chaves privadas. Seguros tradicionais contra crimes e riscos digitais também podem não reembolsar o valor das criptomoedas roubadas, embora cubram despesas como investigação, comunicação aos clientes e honorários jurídicos.
Para analisar um pedido de indenização, as seguradoras verificam como o ataque ocorreu, quais sistemas foram comprometidos e se a empresa cumpria os procedimentos de segurança previstos no contrato. A distinção entre uma invasão externa e uma transferência intencional feita por um funcionário pode influenciar o tipo de apólice aplicável.
Segundo a consultoria Data Bridge Market Research, o mercado global de seguros de criptomoedas movimentou US$ 9,37 bilhões em 2025. A previsão da empresa é que o valor alcance US$ 184,98 bilhões até 2033, impulsionado pela maior participação institucional e pelo aumento de ataques e roubos.
Jacqueline Quintal, líder do setor de instituições financeiras e ativos digitais da Marsh, afirmou à Reuters que empresas e clientes institucionais precisam conhecer as coberturas, exclusões e limites das apólices. Ela também disse que tecnologia, controles de segurança, governança e solidez financeira são necessários para a resiliência.
Fonte: g1