Aliados de Lula e de Flávio Bolsonaro avaliam que a rejeição da Polícia Federal à delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro diminui o potencial de tumulto no cenário eleitoral, embora ambos reconheçam que o escândalo tende a persistir até o pleito de 2026. No entorno do senador fluminense, a percepção é de que o desfecho favorável à rejeição representa uma oportunidade de "virar a página" após as revelações envolvendo o parlamentar.
Fontes próximas a Lula acreditam que, mesmo sem um acordo homologado, o episódio ainda pode gerar instabilidades e ampliar o ruído político. Há o temor de que Vorcaro, na tentativa de negociações com a Procuradoria-Geral da República, buscará vínculos de atores políticos ao escândalo, especialmente frente à sua condição jurídica precária.
Na campanha, o entendimento é de que a rejeição da proposta pela PF ajuda a evitar uma escalada imediata da crise, mas a questão permanece como uma ameaça latente. Ambos os lados esperam que a PGR também rejeite o acordo, mas há previsões de que revelações do ex-banqueiro ainda possam influenciar o ambiente eleitoral.
Investigadores apontam para a possibilidade de Vorcaro tentar manipular o cenário, tentando envolver o PT e figuras do arco político, ampliando o impacto do caso. Recentemente, pesquisa da Quaest indicou que 46% dos brasileiros associam o escândalo do banco Master a danos à imagem do governo Lula, além de afetações a outros poderes.
No lado de Flávio, mesmo com o receio das consequências, interlocutores do PL admitem que a simples possibilidade de delações mantém uma tensão constante. Como medida de precaução, o partido trabalha com um prazo de cerca de 15 dias para avaliar o impacto da crise na sua viabilidade eleitoral, enquanto setores da direita, mercado, líderes evangélicos e do Centrão gesticulam cautela em relação ao senador.
Públicamente, os apoiadores crispam o discurso. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que é imprescindível que Vorcaro revele tudo que sabe e fez, minimizando a relevância do caso para Flávio. A avaliação geral é de que a rejeição da PF favorece a estabilidade do ambiente na fase atual, mas o cenário eleitoral permanece instável, aguardando desdobramentos futuros.