São Paulo - Um empréstimo de R$ 2,6 bilhões formalizado pelo Banco do Brasil para o governo de São Paulo, destinado à construção do Túnel Santos-Guarujá, tornou-se o novo palco de uma disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O financiamento viabiliza o início da obra, prometida há mais de um século.
O ato de assinatura do crédito contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ministros federais, que destacaram o papel do governo Lula no empreendimento. A cerimônia, no entanto, não teve a presença de Tarcísio, que enviou seu secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita. A ausência do governador foi interpretada como um reflexo do clima de tensão entre os governos.
Integrantes do governo estadual relataram surpresa com a realização do evento, marcado pelo governo federal na última semana. Tarcísio vinha afirmando que o estado estava preparado para custear integralmente a obra, o que teria desagradado aliados de Lula. Ambos os políticos buscam capitalizar politicamente com o túnel, uma das maiores obras de infraestrutura do país.
Nos bastidores, o governo federal alega que o pedido de empréstimo por parte do estado demonstra a necessidade de aporte federal. Por outro lado, aliados de Tarcísio criticam a pompa do evento e acusam o governo federal de tentar se apropriar politicamente de um projeto estadual, além de apontarem demora na liberação dos recursos.
O custo total do túnel imerso, o primeiro do Brasil, é de quase R$ 7 bilhões. A União e o estado de São Paulo dividirão igualmente o aporte público de R$ 5,14 bilhões, cada um com R$ 2,57 bilhões. O Banco do Brasil financiará a parte federal através de um empréstimo ao governo estadual, com um ano de carência e 23 anos para pagamento.
Alckmin, durante o evento, relembrou estudos de sua gestão como governador que apontaram o túnel como a melhor solução para a travessia entre Santos e Guarujá. Ele ressaltou a parceria entre os governos e o papel do governo federal em viabilizar o financiamento.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o empréstimo só foi possível com a garantia da União. Tarcísio, por sua vez, defendeu a operação como um "ganha-ganha", destacando o alongamento do prazo de pagamento para o estado e o retorno financeiro para o banco.
A participação federal no aporte está garantida pela Autoridade Portuária de Santos (APS). Contudo, o TCU determinou a adoção de regras mais rígidas para a governança dos recursos, o que impactou o desembolso federal.
Apesar de evitar críticas diretas a Lula, Tarcísio enfatizou que a iniciativa do túnel partiu de sua gestão, que atualizou um projeto da extinta Dersa. Ele também argumentou que a contrapartida estadual, incluindo custos de desapropriação, eleva a participação efetiva do estado para cerca de 84% do custo total do empreendimento, enquanto a federal seria de 16%.
Fonte: G1