O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que o Brasil não repetirá o modelo de exportação de commodities minerais sem agregação de valor, como ocorreu com o minério de ferro. Durante visita oficial do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, Lula defendeu o desenvolvimento de uma indústria local para a exploração de minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e o avanço tecnológico.
"Nosso país também possui grande potencial na área de minerais críticos essenciais para a transição energética digital. Queremos repensar o papel da exploração dos recursos naturais e fortalecer as cadeias produtivas dos nossos territórios", declarou Lula.
Ele criticou a venda de matérias-primas a baixo custo para a posterior importação de produtos acabados a preços muito mais elevados. "Já está avisado que o Brasil não vai fazer aquilo que foi feito por minério de ferro. A gente vendeu minério para comprar produtos acabados pagando cem vezes mais caro. Agora, a parceria será para fazer os processos de transformação aqui no Brasil", disse o presidente.
Lula relembrou a exploração histórica de riquezas minerais brasileiras, como ouro, prata e diamantes, sem o devido retorno em desenvolvimento tecnológico e bem-estar social. "Já levaram toda a nossa prata, nosso ouro, nosso diamante, nosso minério de ferro. É uma questão de tomada de decisão política. Precisamos tirar proveito para que a gente possa fazer disso uma forma de enriquecimento para que nosso povo possa viver melhor", argumentou.
O presidente ressaltou a importância de Brasil e África do Sul realizarem levantamentos de suas reservas de minerais críticos e terras raras. Esses metais são estratégicos para setores de alta tecnologia e defesa, além de fundamentais para a transição energética e o desenvolvimento de novas tecnologias. Atualmente, a China lidera a produção global desses minerais, com cerca de 60% do mercado, em um cenário de intensa disputa geopolítica com outras potências, como os Estados Unidos.