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domingo, 08 de novembro de 2026

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SEGURANÇA

IA acelera ataques e amplia corrida por proteção cibernética

O uso de inteligência artificial acelera ataques cibernéticos e leva empresas e governos a reforçar investimentos em proteção digital.

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Empresas e órgãos públicos de diferentes países enfrentaram, em outubro e novembro, uma sequência de incidentes cibernéticos que, segundo a revista The Economist, foi acelerada pelo uso de inteligência artificial (IA) por criminosos.

A publicação chamou o período recente de “Outubro Sombrio”, também conhecido como “The Hackening”. A IA teria sido usada para identificar uma vulnerabilidade crítica no PHP, linguagem presente em cerca de 70% dos sites, antes da distribuição das correções, o que levou portais, incluindo serviços governamentais brasileiros, a sair temporariamente do ar.

A reportagem também relata o roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões da corretora de criptomoedas Binance. Em novembro, ataques teriam alterado remotamente a temperatura de congeladores de supermercados europeus e desviado recursos do banco francês Crédit Mutuel Arkéa por meio de transações fraudulentas.

Segundo a The Economist, aplicativos de alerta de ataques aéreos na Ucrânia e na Rússia foram invadidos. A publicação também cita violações de bases de dados do registro populacional da Dinamarca, do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e do FBI, além da declaração de estado de emergência em cibersegurança pelo governo do Japão.

A expansão do trabalho remoto, dos dispositivos conectados e das criptomoedas já vinha ampliando a superfície de ataque, mas a IA teria acelerado o processo. Sistemas automatizados reduziram o intervalo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e a criação de um código de exploração, que antes podia levar dias ou semanas e agora seria produzido em poucas horas.

A tecnologia também passou a ser usada para automatizar campanhas de phishing e clonar vozes de executivos e funcionários. O uso não autorizado de ferramentas de IA por empregados, conhecido como “shadow AI”, acrescenta riscos às redes corporativas.

Instituições financeiras e grandes empresas estariam destinando até 20% dos recursos de tecnologia da informação ao rastreamento e à correção de falhas. Corporações também passaram a usar IA para monitorar redes, bloquear ameaças em tempo real e identificar fraudes, enquanto algumas reservam capacidade computacional e aceleram aprovações orçamentárias para responder a incidentes.

A reportagem aponta que fatores humanos e sistemas antigos continuam entre os principais pontos vulneráveis. O ataque à Binance teria começado depois que um funcionário baixou um arquivo malicioso durante uma falsa entrevista de emprego, enquanto equipamentos industriais com softwares desatualizados poderiam ser explorados por criminosos.

Pequenas e médias empresas da cadeia de suprimentos também são citadas como possíveis portas de entrada para ataques a grandes companhias. O caso da plataforma Polymarket teria ocorrido após uma falha em uma ferramenta terceirizada de monitoramento chamada DebugBear.

Fonte: O Globo

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