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O vice-presidente Geraldo Alckmin passou a ser considerado um nome para a Fazenda, a Segurança Pública, a Defesa e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio na montagem do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação ganhou força após a participação de Alckmin, na quinta-feira, em uma reunião de Lula com economistas no Palácio da Alvorada.
Aliados defendem que o vice tenha um papel maior no novo governo, mas avaliam que uma pasta com alto potencial de desgaste também poderia expô-lo a críticas. A escolha é analisada ainda sob a perspectiva da sucessão presidencial de 2030.
Na Fazenda, além de Alckmin, são cotados o atual ministro, Dario Durigan, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o ex-ministro Fernando Haddad. Segundo aliados, o vice adotaria uma linha mais austera e poderia enfrentar conflitos com o Congresso, especialmente por causa do volume de emendas parlamentares.
O trânsito de Alckmin com empresários é apontado como um fator favorável. Nos últimos dias, ele recebeu representantes do mercado financeiro, do agronegócio e de outros setores, além de ter se reunido com o economista Felipe Salto. Pessoas próximas negam, porém, que ele esteja se movimentando para assumir a Fazenda.
Na Segurança Pública, a trajetória de Alckmin como governador de São Paulo é vista como argumento a favor. Lula busca um discurso mais duro contra a criminalidade e pretende transformar a área em uma das vitrines do próximo mandato, mas o vice poderia enfrentar críticas dentro do PT caso adotasse essa linha.
A Defesa também aparece entre as possibilidades. Alckmin participou da retomada das atividades da Avibras e incluiu o setor de defesa no plano Nova Indústria Brasil. O atual ministro, José Múcio Monteiro, não deve permanecer no cargo, enquanto enfrenta resistências de militares da cúpula das Forças Armadas e trabalha pela indicação de Cinara Wagner Fredo, secretária-geral da pasta.
Outra hipótese é o retorno de Alckmin ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que ele comandou de 2023 a abril de 2026. Durante sua gestão, participou das negociações relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O vice ainda não conversou com Lula sobre sua posição no novo governo e, segundo aliados, aguarda ser chamado. Interlocutores consideram possível que ele permaneça apenas na Vice-Presidência, mas afirmam que Alckmin não deve recusar uma missão atribuída pelo presidente.
O desempenho de Alckmin na reta final da campanha pela reeleição de Lula ampliou sua influência na composição do governo. Ele foi escalado para dialogar com eleitores de centro e de direita, empresários, prefeitos e lideranças conservadoras.
Fonte: O Globo