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A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ampliar, no Supremo Tribunal Federal (STF), o isolamento dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, vistos nos bastidores como contraponto ao grupo de magistrados mais próximo do presidente.
Lula terá a oportunidade de indicar mais quatro ministros para a Corte. Luiz Fux, em 2028, Cármen Lúcia, em 2029, e Gilmar Mendes, em 2030, devem deixar o tribunal ao atingir a idade de aposentadoria compulsória, segundo a avaliação apresentada na reportagem.
O grupo com interlocução mais frequente com o Palácio do Planalto reúne Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Apenas Zanin e Dino foram indicados por Lula.
Levantamento realizado pelo GLOBO com auxílio de inteligência artificial, a partir de mais de 7 mil processos analisados em 2025 e 2026, apontou Fux, Nunes Marques e Mendonça como o grupo mais coeso e minoritário do tribunal. Nos julgamentos sem unanimidade em 2026, os três votaram juntos, em alguma medida, em três de cada quatro casos.
O alinhamento apareceu no julgamento sobre a abertura de investigação a respeito da relação de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, em 15 de setembro. Fux acompanhou Mendonça na defesa de uma análise individual do caso, enquanto Dino e Fux protagonizaram um bate-boca durante a sessão.
Nunes Marques, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou-se impedido de participar daquele julgamento. Em entrevista ao GLOBO, negou ter feito negócios ou trocado favores com Vorcaro.
Relator do caso Master, Mendonça tem feito contraponto a Moraes no STF. Nunes Marques é considerado mais conciliador por parte dos colegas e, em alguns julgamentos, se alinha a ministros de outro grupo, como Gilmar Mendes.
A Polícia Federal deve entregar um relatório sobre as menções a ministros do STF no caso Master após pedido de Edson Fachin. Segundo integrantes da Corte, as citações já divulgadas fragilizam Nunes Marques no enfrentamento à ala de Moraes.
Durante a campanha eleitoral, Mendonça e Nunes Marques também protagonizaram decisões contestadas por outros ministros. Em um caso, Dino suspendeu liminar de Mendonça que determinava a retirada de mais de mil publicações associando Flávio Bolsonaro à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
No segundo turno, Zanin atendeu a um pedido da campanha de Lula para estender o horário de votação em duas horas, após relatos de redução na oferta de transporte público em algumas cidades. A decisão provocou críticas de Nunes Marques, que afirmou que a medida não afetou o resultado eleitoral.
Para a vaga aberta no STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, é apontado como um nome mais favorável a Mendonça. Outro cotado é Rodrigo Pacheco, ministro do Tribunal de Contas da União e ex-senador, considerado próximo ao grupo de Moraes.
Fonte: O Globo