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Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo elogiaram mecanismos de financiamento e integração previstos na PEC da Segurança, aprovada pelo Senado em 3 de novembro, mas demonstraram preocupação com um possível esvaziamento do papel do Ministério Público nas investigações.
A proposta endurece o combate a facções criminosas e milícias, define atribuições da Polícia Federal, amplia o escopo da Polícia Rodoviária Federal e reforça a possibilidade de ações integradas entre forças federais, estaduais e municipais.
O promotor Juliano Atoji afirmou que a previsão de força-tarefa intergovernamental pode reduzir o reconhecimento da atuação dos ministérios públicos. Segundo ele, o Gaeco coordenou operações recentes com a participação de órgãos parceiros.
Atoji também avaliou positivamente a vinculação de fundos de segurança pública e penitenciário, que, segundo ele, pode evitar o contingenciamento de recursos destinados a tecnologia e inteligência. Ele citou ainda a melhoria no abastecimento dos bancos de dados nacionais, permitindo consultas mais rápidas sobre antecedentes criminais.
O promotor Danilo Pugliesi disse que a PEC pode constitucionalizar e padronizar a integração entre os órgãos e o repasse de fundos federais. Para ele, a efetividade das regras dependerá de uma governança horizontal, com compartilhamento de informações desde o início das investigações.
Fábio Bechara, ex-integrante do Gaeco, afirmou que a liderança do presidente da República será necessária para garantir estabilidade à cooperação entre os entes federativos. Ele também defendeu a atuação de um executor à frente do Ministério da Segurança Pública.
Um promotor paulista que não quis se identificar mostrou ceticismo sobre a integração. Ele citou a Operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC no setor de combustíveis e na Avenida Faria Lima, e afirmou que houve disputa de protagonismo entre os órgãos durante a divulgação dos resultados.
O ex-secretário nacional de Segurança Pública Mário Sarrubbo afirmou que o crime organizado se internacionalizou enquanto as forças estaduais atuavam de forma isolada. Segundo ele, a PEC institucionaliza a integração e reduz o risco de contestação da validade de provas em operações com participação conjunta de polícias, Ministério Público, Guarda Civil Metropolitana e Polícia Rodoviária Federal.
Fonte: O Globo