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Desenvolvedores anunciaram na sexta-feira (6) o treinamento de um modelo de linguagem baseado em idiomas indígenas falados no México. O país tem cerca de 68 idiomas indígenas, cujos falantes costumam viver em localidades pobres e com acesso limitado à tecnologia.
Segundo Jessica Peña, fundadora da Monarca Lab, a iniciativa busca evitar que as comunidades fiquem excluídas do avanço da inteligência artificial. O modelo ainda está em treinamento, e os criadores esperam obter resultados em um ano.
A brasileira WideLabs, cocriadora do projeto, já desenvolveu um modelo semelhante em português, com variantes do idioma no Brasil. A tecnologia foi implementada por instituições públicas do sistema de Justiça brasileiro em aplicativos que orientam cidadãos sobre o acesso a serviços jurídicos.
O anúncio ocorreu durante o México IA+, encontro que reuniu especialistas do setor. O governo da presidente Claudia Sheinbaum busca estimular o desenvolvimento da inteligência artificial no país como parte do Plano México, que tem entre suas metas substituir importações em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos.
Empresários apontam dificuldades para o crescimento do setor no país. Miguel Garduño, cofundador da Mexinlabs, citou a falta de conhecimento como o principal desafio da indústria mexicana, enquanto Octavio Camarena, diretor da empresa de centros de dados KIO, mencionou a transmissão de energia elétrica e o acesso ao capital.
Mesmo com esses obstáculos, o mercado mexicano continua atraindo empresas estrangeiras. A argentina Illumia chegou ao país há cerca de três semanas, segundo seu representante local, Oscar Parra, devido à quantidade de empresas que demandam serviços de inteligência artificial.
Fonte: O Globo