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Uma investigação da Reuters publicada nesta sexta-feira (6) identificou que o teclado do iPhone mantém uma lista não divulgada de cerca de 100 mil palavras e expressões que ficam fora das sugestões automáticas e da digitação por gestos.
O arquivo, chamado de “lista cinza”, reúne palavrões, referências a drogas e violência e expressões políticas, como “ditador Trump”, “Joe sonolento”, “independência do Tibete”, “Irlanda Unida” e “conspiração da direita”. A lista não impede a digitação manual dos termos.
A descoberta foi feita em setembro pelo pesquisador independente Derik Kauffman, que identificou falhas ao tentar escrever determinadas expressões deslizando o dedo sobre as letras. O engenheiro Matt Suiche, da empresa de cibersegurança Tolmo, afirmou ter encontrado uma lista quase idêntica.
Testes da Reuters em aparelhos da Apple confirmaram dificuldades para digitar parte dos termos pelo recurso de gestos. A investigação também encontrou restrições específicas em outros idiomas, incluindo as expressões “imigração muito alta”, em francês, e “territórios ocupados”, em hebraico.
A Apple não comentou diretamente o tamanho ou a composição da lista. A empresa declarou que o teclado foi configurado para evitar sugestões consideradas ofensivas ou inadequadas e ressaltou que os usuários podem digitar qualquer palavra.
Para Kauffman, o mecanismo representa uma forma sutil de censura. David Greene, consultor sênior da Electronic Frontier Foundation, defendeu que as empresas informem os critérios usados e permitam a personalização do recurso.
Fonte: O Globo