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Um tribunal de Mombaça, no Quênia, condenou nesta sexta-feira (6) Paul Mackenzie a 200 anos de prisão pelas mortes, por fome, de 190 crianças e um adulto de sua seita entre janeiro de 2021 e setembro de 2023.
A sentença prevê 100 anos pelas acusações de homicídio e outros 100 por inanição. Os 28 coacusados também receberam penas de prisão, e o advogado de Mackenzie afirmou que recorrerá.
Mackenzie se apresentava como pregador e incentivava os seguidores a morrer de fome para “conhecer Jesus”. Ele foi detido em abril de 2023, depois que alguns membros do grupo foram resgatados após um alerta de uma organização de defesa dos direitos humanos.
A operação policial encontrou centenas de covas rasas na base da seita, perto de Malindi, cidade costeira do Quênia. Autópsias indicaram que a maioria das vítimas morreu de fome; outras teriam sido estranguladas, espancadas ou asfixiadas.
O Ministério Público havia pedido a pena de morte para Mackenzie e prisão perpétua para os cúmplices. A juíza Diana Kavedza Mochache rejeitou a pena capital sob o argumento de que, para integrantes do grupo, a morte era associada a um casamento com Jesus e vista como uma forma de heroísmo religioso.
Embora a legislação queniana preveja a pena de morte, o país não executa ninguém desde 1987. Quase 120 testemunhas depuseram durante o julgamento.
A Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quênia informou, em 2024, que o número total de mortos chegava a 429. Algumas vítimas ainda não foram identificadas.
Fonte: O Globo