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sexta-feira, 06 de novembro de 2026

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EXPLICAÇÃO

Ataque durante entrega de ajuda põe em foco regras de proteção a civis na guerra

A ONU avaliou preliminarmente que o ataque a uma escola durante uma distribuição de ajuda pode violar regras de proteção a civis.

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Bombas atingiram uma escola em Komyshuvakha, na região ucraniana de Zaporíjia, em 2 de novembro de 2026, enquanto civis se reuniam para receber ajuda humanitária. A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU afirmou no dia seguinte que o ataque parecia violar princípios fundamentais do direito internacional humanitário. A avaliação é preliminar, não uma decisão judicial definitiva.

O direito humanitário estabelece limites para a condução de conflitos armados. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), ataques contra civis e objetos civis são proibidos, assim como ataques indiscriminados ou desproporcionais. As partes também devem tomar precauções viáveis para evitar ou minimizar danos a civis. Escolas e outras infraestruturas civis devem ser protegidas.

Essas regras ajudam a explicar a preocupação da ONU com as circunstâncias do ataque. A missão informou que a distribuição de ajuda foi anunciada pelas autoridades locais na véspera, em um canal de rede social com quase 5 mil inscritos. O aviso identificava a escola como local e indicava o período entre 10h e meio-dia de 2 de novembro. Para a missão, a divulgação ampla significava que as forças atacantes deveriam adotar precauções viáveis para evitar ou reduzir danos à população.

A exigência de precaução não equivale, por si só, a uma conclusão judicial sobre quem violou a lei ou sobre a responsabilidade individual. No caso de Komyshuvakha, a ONU apresentou sua avaliação como preliminar. O órgão também relatou que autoridades locais informaram a ocorrência de nove bombas aéreas em duas ondas. Após analisar imagens do local, a missão disse que a destruição era compatível com o uso de bombas aéreas potentes.

A proteção de civis também se aplica a quem presta assistência e a pessoas reunidas para recebê-la. A Polícia Nacional ucraniana informou que quatro policiais morreram enquanto ajudavam moradores a chegar ao abrigo instalado no subsolo da escola. Segundo a corporação, um ataque seguinte atingiu pessoas que tentavam se proteger. O Serviço Estatal de Emergência afirmou que dois socorristas morreram e dois ficaram feridos após novos ataques, quando equipes chegaram ao local.

O episódio ocorreu em um assentamento onde outra entrega de ajuda já havia sido atingida em junho de 2026. Na ocasião, um drone de curto alcance feriu quatro civis, segundo a missão da ONU. Depois desse ataque, a organização responsável pela distribuição suspendeu as operações no local por riscos de segurança. O antecedente mostra que a assistência enfrentava perigos na área meses antes do ataque à escola, sem alterar a avaliação preliminar da ONU sobre o caso de novembro.

O CICV também descreve bombas planadoras como armas lançadas por aeronaves, capazes de percorrer até 100 quilômetros e carregar centenas de quilos de explosivos. A Missão da ONU informou que, antes do ataque de 2 de novembro, essas armas haviam causado ao menos 478 mortes de civis e 2.667 feridos na Ucrânia em 2026 — 16% das vítimas civis verificadas naquele ano. Esses números dão contexto ao risco associado ao armamento, mas não identificam, por si, qual tipo de bomba atingiu a escola em Komyshuvakha.

Fontes: Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia; Comitê Internacional da Cruz Vermelha; Polícia Nacional da Ucrânia — Departamento da região de Zaporíjia; Interfax-Ukraine; Polícia Nacional da Ucrânia — Departamento da região de Zaporíjia

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