Favoritos e preferências ficam neste navegador, sem precisar de cadastro.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo na quinta-feira, 5 de novembro de 2026, em meio à crise financeira envolvendo o Ueno Bank. O governo brasileiro avalia que a saída enfraquece a influência de Donald Trump na América do Sul, mas teme efeitos políticos e econômicos no país vizinho.
Um interlocutor do governo de Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que será necessário acompanhar o processo para medir a dimensão da crise. Segundo ele, a mudança não deve afetar, por enquanto, a relação entre Brasil e Paraguai.
A fronteira entre os dois países e os negócios bilaterais, especialmente a parceria na hidrelétrica de Itaipu, estão entre os pontos de preocupação caso a instabilidade se prolongue.
A renúncia ocorreu após suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Ueno Bank, que levaram ao bloqueio de contas correntes e investimentos de cerca de 40% da população paraguaia. A crise também paralisou o comércio nacional.
Mesmo após a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 parlamentares presentes, a abertura de um processo de impeachment contra Peña.
Eleito em 2023, Peña era considerado um dos principais aliados das políticas de Trump na região. O Paraguai aderiu à iniciativa de segurança Escudo das Américas e autorizou a presença de militares americanos em seu território.
Auxiliares de Lula avaliam que a saída de Peña não deve provocar uma guinada política no Paraguai. O vice-presidente, Pedro Alliana, que assumirá o governo, pertence ao Partido Colorado, a mesma legenda de Peña, e tinha o apoio do agora ex-presidente para disputar a Presidência em 2028.
O Banco Central paraguaio interveio no Ueno Bank sob a alegação de que o índice de solvência da instituição havia ficado abaixo do mínimo exigido de 50% após ajustes nos balanços. Oito executivos ou ex-executivos foram presos preventivamente, e o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou junto com outros diretores.
Centenas de paraguaios foram às ruas para exigir acesso ao dinheiro depositado em contas correntes e de investimento. O governo ainda trabalha em um plano para garantir os pagamentos.
Fonte: O Globo