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O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, esperar que a formação de um novo governo israelense permita retomar as negociações de paz, paralisadas há anos. Entre palestinos, porém, o resultado das eleições legislativas realizadas na terça-feira alimentou o temor de continuidade da violência em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
Com 99% das urnas apuradas, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, segundo a Comissão Eleitoral Central de Israel. Os partidos de oposição obtiveram 67 cadeiras, mas ainda precisam formar uma coalizão para alcançar a maioria de 61 parlamentares e substituir Netanyahu.
A oposição, liderada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, também enfrenta dificuldades para construir uma coalizão. As negociações podem se prolongar por semanas, mantendo a incerteza sobre o futuro político de Israel.
Em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, Huda Al Huli, deslocada pela guerra entre Israel e o Hamas, disse temer uma piora nas condições de vida e pediu uma voz mais humana na sociedade israelense para defender o fim do conflito.
Em Ramallah, na Cisjordânia, Ahmed Awad, de 67 anos, afirmou não esperar uma mudança radical nas políticas israelenses relacionadas ao conflito, mesmo com uma eventual alternância de poder. Segundo ele, a força da direita na sociedade israelense limita as perspectivas de transformação.
As eleições foram as primeiras realizadas em Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. A votação ocorreu durante a continuidade dos ataques israelenses no território palestino e o aumento da violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia.
Durante encontro com o presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, em Nicósia, Abbas disse esperar que, após a formação do novo governo israelense, seja possível iniciar um diálogo conjunto. O líder palestino afirmou que há anos estende a mão ao lado israelense para buscar paz, segurança e estabilidade.
A pesquisadora Beth Oppenheim, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, avaliou que um governo liderado por Eisenkot poderia reduzir a influência da extrema direita, facilitar o funcionamento da Autoridade Nacional Palestina e flexibilizar posições sobre ajuda humanitária e o cessar-fogo em Gaza. Ela ponderou, porém, que uma mudança de governo não representaria uma transformação nas posições sobre a criação de um Estado palestino e o processo de paz.
Yousef Munayyer, diretor do programa Palestina-Israel do Arab Center Washington, afirmou que até uma derrota de Netanyahu poderia agravar a situação dos palestinos no curto prazo. Para ele, um governo alternativo politicamente frágil poderia adotar medidas mais duras, enquanto colonos na Cisjordânia poderiam desafiar um novo Executivo.
Fonte: O Globo