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sábado, 07 de novembro de 2026

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Oposição acusa Netanyahu de tentar deslegitimar eleição em Israel

Oposição acusa Netanyahu de tentar deslegitimar a eleição após pedido de investigação sobre possível influência estrangeira em Israel.

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A oposição israelense acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de tentar deslegitimar os resultados das eleições legislativas realizadas na terça-feira, 27 de outubro de 2026, após a Comissão Central Eleitoral pedir ao Shin Bet uma investigação sobre possível influência estrangeira no pleito.

A apuração estava quase concluída nesta quinta-feira, 29 de outubro, sem que nenhuma coalizão alcançasse as 61 cadeiras necessárias para formar maioria na Knesset. O bloco governista tinha 53 assentos, contra 48 da oposição liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot.

O presidente da comissão eleitoral, juiz Noam Sohlberg, enviou uma carta ao diretor do Shin Bet, David Zini, na quarta-feira. Ele pediu que o órgão investigasse, em uma semana, suspeitas de financiamento estrangeiro destinado a influenciar a votação.

Sohlberg afirmou na carta que não poderia confirmar o fundamento das suspeitas, mas considerou necessária uma investigação minuciosa. A solicitação, porém, levou Netanyahu e o Likud a ampliarem as acusações de fraude e a classificarem o episódio como uma tentativa de interferência externa.

O partido de Netanyahu chamou o suposto esquema de “Ra'amgate”, em referência ao partido árabe Ra'am e ao escândalo Watergate. A sigla afirmou que a situação representaria uma tentativa de controlar a Knesset e impedir a formação de um governo de direita.

Fontes ligadas à comissão eleitoral e ao setor de inteligência, citadas pela imprensa israelense, disseram que a suspeita envolvia o Catar e o repasse ilegal de recursos a organizações árabes para estimular a participação de cidadãos árabes-israelenses. Doha rejeitou as acusações, classificando-as como “ridículas e perigosas”.

A polícia israelense havia negado pouco antes as alegações do Likud sobre fraude e informado que a votação ocorreu com poucos incidentes irregulares. Dean Livne, diretor-geral interino da Comissão Central de Eleições, também afirmou que não havia provas de uma ação sistemática para comprometer a integridade do processo.

As duas listas árabes, que podem conquistar 19 cadeiras, tornaram-se decisivas para a formação do próximo governo. O líder do Ra'am, Mansour Abbas, negou qualquer ligação com o caso e disse que colaboraria com as autoridades, além de acusar Netanyahu de manter supostas conexões com agentes do Catar.

Eisenkot condenou qualquer interferência estrangeira, mas acusou Netanyahu de usar a investigação para atrasar a divulgação dos resultados e deslegitimar a próxima legislatura. O líder do Israel Nossa Casa, Avigdor Lieberman, classificou a carta como um desdobramento sem precedente, enquanto Yair Golan, dos Democratas, afirmou que Netanyahu tentava enfraquecer a vontade popular.

Não está definido se a investigação poderia levar ao cancelamento da votação e à convocação de um novo pleito. Caso não haja acordo para formar governo, Israel poderá realizar novas eleições em 2027 e permanecer sob um governo interino; segundo o analista Steven Cook, do Council on Foreign Relations, Netanyahu entraria em uma nova disputa em posição de vantagem.

Fonte: O Globo

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