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Benjamin Netanyahu enfrenta eleições gerais em Israel que podem definir o futuro político do país e são vistas como um novo referendo sobre seu poder. Primeiro-ministro por 19 anos ao longo de diferentes períodos, ele apresenta sua experiência em segurança e política externa como parte central da campanha.
“Estamos no olho do furacão, e precisamos ser muito fortes, muito inteligentes e muito experientes”, afirmou Netanyahu em entrevista concedida poucos dias antes da votação. O resultado também pode influenciar os planos do premier para remodelar o equilíbrio de poder no Oriente Médio.
Nascido um ano depois da criação de Israel, Netanyahu passou parte da juventude nos Estados Unidos e retornou ao país ao fim do ensino médio para servir nas Forças Armadas. Participou da Guerra do Yom Kippur, em 1973, e construiu relações políticas em Israel e nos Estados Unidos.
Na década de 1980, quando já se opunha publicamente à criação de um Estado palestino independente, foi embaixador de Israel na ONU. Em 1996, venceu as eleições pelo Likud, um ano depois do assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, e iniciou sua longa trajetória no governo.
O primeiro mandato foi marcado por atentados, divergências e denúncias de corrupção. Derrotado por Ehud Barak em 1999, Netanyahu voltou ao centro da política ao ocupar os ministérios das Relações Exteriores e das Finanças durante o governo de Ariel Sharon.
Ele retornou ao cargo de primeiro-ministro em 2009, apresentando-se como o líder capaz de garantir a segurança de Israel. Durante os anos seguintes, defendeu a expansão das colônias judaicas na Cisjordânia, rejeitou a retirada de Gaza e lançou uma ofensiva contra o território em 2014.
Netanyahu também fez da oposição ao Irã uma das principais bandeiras de sua política externa. Em 2012, discursou na Assembleia-Geral da ONU sobre o programa nuclear iraniano e, em 2015, classificou o acordo internacional firmado sobre o tema como um “erro histórico”.
Durante o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, Israel obteve o reconhecimento americano de Jerusalém como capital e das Colinas de Golã como parte do país. Em 2020, os Acordos de Abraão estabeleceram relações diplomáticas entre Israel e quatro países árabes: Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
Na política interna, as denúncias de corrupção contra Netanyahu resultaram em indiciamento em 2019 e chegaram aos tribunais no ano seguinte. Ele também formou alianças com setores radicais que contribuíram para seu retorno ao poder entre 2021 e 2022, em um governo descrito como o mais à direita da história de Israel.
Os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 expuseram o governo a críticas por falhas na segurança, embora Netanyahu tenha respondido com uma ofensiva de grande escala contra Gaza. Segundo números das autoridades locais referendados pela ONU, 74 mil pessoas morreram no conflito, centenas de milhares ficaram feridas e cerca de 2 milhões de habitantes foram afetados.
Em 2024, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra Netanyahu, enquanto a Corte Internacional de Justiça analisa acusações de genocídio contra Israel. O premier rejeita as acusações, segundo o conteúdo original.
A guerra também ampliou a atuação israelense em áreas próximas, com bombardeios no Líbano e na Síria e planos para zonas de segurança nas fronteiras. O conflito com o Irã, iniciado após trocas de mísseis em 2024 e 2025, passou a ocupar espaço central na campanha, segundo relatos citados na matéria.
Para Netanyahu, que já teve sua aposentadoria política anunciada diversas vezes, as eleições podem definir a continuidade de seu projeto regional ou reforçar as críticas de que sua estratégia não alcançou os objetivos prometidos.
Fonte: O Globo