Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam uma estratégia para evitar ataques à governadora Raquel Lyra (PSD) durante a visita do petista a Pernambuco nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026. A agenda foi solicitada por João Campos (PSB), pré-candidato ao governo estadual.
Como parte da operação, a primeira-dama Janja da Silva foi aconselhada a não discursar. A avaliação é que ela poderia mencionar um vídeo em que Raquel Lyra sugere a realização de uma laqueadura em uma mulher sem que ela soubesse previamente do procedimento.
Membros da coordenação da campanha também reforçaram a presença na agenda para tentar evitar que Lula faça críticas à governadora no palanque ao lado de João Campos. A orientação ao presidente é que ele concentre sua fala na exaltação do candidato do PSB.
Na avaliação da cúpula petista, um ataque a Raquel Lyra poderia aproximá-la de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 24 de setembro, apontou empate técnico entre os dois candidatos, com 48% das intenções de voto para a governadora e 44% para Campos.
Raquel Lyra não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência e, segundo a reportagem, também não tem feito ataques ao governo federal. A governadora tem mantido gestos de aproximação com Lula.
O vídeo citado foi gravado em maio de 2025, durante a inauguração de uma unidade de terapia intensiva em Garanhuns, e veio a público no domingo, 20 de setembro de 2026. João Campos usou o episódio para criticar a governadora, que pediu desculpas pela declaração.
Lula aceitou participar da agenda após insistência de João Campos, que também preside o PSB. Aliados do presidente avaliam que não seria possível correr o risco de o candidato atribuir ao petista uma eventual derrota no estado.
A visita a Pernambuco também foi interpretada por aliados de Campos como uma vitória sobre Rui Costa, apontado como interlocutor da governadora no governo federal e defensor de um palanque duplo para Lula no estado. O cenário avaliado pelos petistas indica que a eleição pernambucana deve ser decidida em segundo turno.
Uma operação semelhante foi montada para a passagem de Lula por Alagoas, na quinta-feira, 24 de setembro. Segundo relatos de interlocutores, houve contato com Arthur Lira (PP-AL) para informar que não haveria ataques contra ele durante a visita presidencial.
Lula foi a Alagoas após pedidos dos senadores Renan Calheiros (MDB) e Renan Filho (MDB), que disputam, respectivamente, a reeleição e o governo estadual. Petistas avaliam que é necessário evitar atritos com lideranças de partidos de centro após uma declaração do presidente no Piauí, interpretada como crítica indireta a Ciro Nogueira (PP).
Fonte: O Globo