O presidente da China, Xi Jinping, chegou a Washington nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, para o terceiro encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em menos de um ano. A reunião ocorre em meio a disputas comerciais, concorrência tecnológica e conflitos internacionais que envolvem os dois países.
Trump recebeu Xi na pista da Base Conjunta Andrews, em Maryland, acompanhado da primeira-dama Melania Trump. A recepção foi interpretada como um gesto de aproximação entre os líderes, apesar da rivalidade entre Washington e Pequim.
Os presidentes devem discutir a trégua tarifária firmada no ano passado, que prevê redução da pressão comercial americana em troca de concessões chinesas, incluindo a exportação de minerais críticos. Os dois governos avaliam estender o acordo, mas ainda divergem sobre o prazo.
Também estão na pauta as restrições dos Estados Unidos ao setor de alta tecnologia chinês e a disputa pela liderança global em inteligência artificial. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que discutiu com o vice-premiê chinês He Lifeng a criação de um mecanismo para notificar incidentes envolvendo modelos de IA.
Segundo o professor de Relações Internacionais Maurício Santoro, o esforço de diálogo ocorre enquanto Trump e Xi enfrentam dificuldades domésticas. Para ele, a aproximação no alto nível não elimina a competição estrutural entre os dois países.
Trump chega ao encontro pressionado por dificuldades em sua política externa, baixa aprovação interna e pela possibilidade de avanço democrata nas eleições legislativas de novembro. A guerra na Ucrânia e o conflito com o Irã também ampliaram os desafios enfrentados pelo governo americano.
Xi, por sua vez, lida com a desaceleração da economia chinesa, problemas no setor imobiliário e uma reorganização nos altos escalões das Forças Armadas e do Partido Comunista. A economia avançou 4,3% no segundo trimestre, o menor ritmo desde 2022, segundo o conteúdo original.
A questão de Taiwan também deve ser tratada. Pequim busca garantias sobre limites da política americana para a ilha, enquanto setores diplomáticos e militares dos Estados Unidos defendem a manutenção do apoio estratégico e da cooperação na área de defesa.
Trump e Xi ainda poderão se reunir em novembro, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em Shenzhen, e no encontro do G20, em Miami. A presença do líder chinês na reunião do G20 ainda não foi confirmada.
Fonte: O Globo