Ruínas de uma igreja medieval construida provavelmente no século XIII foram identificadas em Qinngua, no sul da Groenlândia, e revelaram novas pistas sobre a organização da sociedade nórdica na ilha há mais de 800 anos. A descoberta foi divulgada pelo Museu Nacional da Dinamarca em 24 de setembro de 2026.
A construção mede entre 8 e 10 metros de comprimento e entre 3 e 4 metros de largura. Pelo menos um túmulo foi encontrado ao lado do templo, que fazia parte de um assentamento formado durante a colonização nórdica da Groenlândia.
Segundo o arqueólogo Christian E.K. Madsen, responsável pela pesquisa, as igrejas desempenhavam papel importante na organização da sociedade nórdica após a conversão dos vikings ao cristianismo. A construção de um templo também representava uma forma de reivindicar poder religioso e acesso às receitas da igreja.
A igreja ficava entre três fazendas, que provavelmente compartilhavam campos e recursos. Uma pista encontrada nas etapas finais das escavações realizadas em 2025 levou os pesquisadores a identificar a estrutura, descrita por Madsen como uma espécie de protoaldeia.
Os pesquisadores esperam que a descoberta ajude a reconstruir o desenvolvimento do assentamento, desde sua formação até o desaparecimento. A presença nórdica na Groenlândia começou no século X e terminou no século XV, mas as circunstâncias do fim da colônia continuam sem explicação definitiva.
De acordo com Madsen, fontes escritas indicam que o templo integrava uma rede de pequenas igrejas católicas, consideradas pelo arqueólogo as primeiras igrejas católicas do continente norte-americano. A igreja identificada foi construída quase 300 anos antes do início da colonização moderna da Groenlândia pela Dinamarca, no século XVIII.
Fonte: O Globo