O presidente da China, Xi Jinping, chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (23) para uma visita de Estado a convite do presidente Donald Trump. A recepção, negociada durante semanas por Washington e Pequim, prevê guarda de honra, tapete vermelho, salva de 21 tiros e cerimônia formal na Casa Branca.
A classificação representa o mais alto nível do protocolo diplomático americano e foi uma exigência do governo chinês. Segundo pessoas envolvidas nos preparativos ouvidas pelo Wall Street Journal, os dois governos divergiram sobre o formato oficial da viagem antes de Washington aceitar o pedido de Pequim.
Esta é a primeira visita de Estado de Xi aos Estados Unidos em mais de uma década. Pequim também defendeu uma programação de dois dias e a realização de um jantar de Estado, em moldes semelhantes aos adotados durante a visita de Trump à China, em maio.
Assessores chineses afirmam que Xi pretende reforçar a imagem de que é tratado como igual pelo presidente da maior potência mundial. Trump, por sua vez, teria concordado com a recepção para impressionar o líder chinês e preservar a estabilidade da relação bilateral antes das eleições legislativas de meio de mandato.
As negociações ocorrem em meio a disputas sobre tecnologias avançadas, inteligência artificial e influência geopolítica. Os dois líderes não devem fazer grandes concessões, mas os Estados Unidos esperam manter compromissos assumidos no início do ano e preservar a trégua tarifária que evitou a retomada da guerra comercial.
Antes da chegada de Xi, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reuniram-se com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. As conversas trataram de comércio e inteligência artificial, incluindo uma proposta americana para criar um sistema de notificações sobre incidentes de IA com possível impacto na segurança nacional.
As discussões também abordaram a ampliação do comércio de produtos considerados menos sensíveis, como bens de consumo, itens de baixa tecnologia, energia, produtos agrícolas e, potencialmente, dispositivos médicos. Os controles americanos sobre exportações de semicondutores não fizeram parte da pauta, segundo Greer.
Xi chega a Washington enquanto a China enfrenta dificuldades econômicas e reorganizações nos altos escalões das Forças Armadas e do Partido Comunista. A visita também ocorre em meio a impasses sobre Taiwan, os controles tecnológicos americanos e o papel de Pequim no relacionamento com o Irã.
Fonte: O Globo