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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Sobrevivente relata mortes em cela superlotada na Nigéria

Sobrevivente relata que 33 presos morreram em uma cela superlotada e sob calor extremo em Minna, na Nigéria.

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Usman Muhammad, um dos sobreviventes de uma cela superlotada em Minna, na Nigéria, relatou que 33 companheiros morreram no local e outros quatro morreram depois, no hospital. O episódio ocorreu em 17 de setembro, segundo o Ministério do Interior nigeriano.

De acordo com reportagem da BBC, Muhammad estava detido com mais de 50 pessoas em uma cela de cerca de 6 metros por 3 metros. Ele afirmou que havia espaço apenas para permanecer em pé, com umidade superior a 90%, ventilação limitada e temperatura externa acima de 25 °C.

“Nunca senti um calor como aquele na minha vida. Quando encostávamos no corpo uns dos outros, parecia que um fogo estava queimando”, disse Muhammad à emissora.

O sobrevivente afirmou que um dos presos desmaiou após algum tempo. Segundo ele, os detidos pediram água a um guarda, mas o agente teria fechado a porta novamente depois de olhar para o homem desacordado.

Muhammad também relatou que alguns presos beberam a própria urina e recolheram suor do corpo para tentar sobreviver. Outro sobrevivente, Adamu Isah, disse à Reuters que os detidos gritaram por ajuda ao perceberem que havia pessoas morrendo.

As denúncias provocaram protestos e ataques a prédios públicos. Familiares e moradores passaram a cobrar explicações sobre as mortes.

Os detidos eram garimpeiros artesanais presos por agentes do Nigeria Security and Civil Defence Corps (NSCDC) nos arredores de Minna. A corporação informou que agentes estão sob custódia, incluindo o comandante suspenso do estado de Níger, Suberu Aniviye.

O governador do estado de Níger, Umaru Bago, defendeu uma investigação. O ministro do Interior, Olubunmi Tunji-Ojo, afirmou que nenhum agente será protegido e que qualquer tentativa de obstruir a apuração será tratada com seriedade.

Uma comissão independente com dez integrantes foi criada para investigar as mortes, identificar responsabilidades e recomendar medidas legais. O grupo terá duas semanas para apresentar o relatório.

Fonte: O Globo

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