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Ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração de supermercados e bancos de sangue, além de falsas ameaças de bomba, afetaram países europeus nos últimos dias e provocaram atrasos e desvios de voos, evacuações e alertas de segurança.
Ao menos 22 voos comerciais foram afetados por ameaças nesta semana. Algumas aeronaves receberam escolta militar e foram desviadas para aeroportos ou bases aéreas, embora as ameaças tenham se revelado falsas.
Na sexta-feira, 6 de novembro, redações de veículos de comunicação da Irlanda foram evacuadas após mensagens com ameaças de bomba. A emissora pública irlandesa e outros meios de comunicação, incluindo a britânica Sky News, também foram alvo de e-mails ameaçadores.
Os ataques aos supermercados começaram na França no mês passado e, na segunda-feira, 2 de novembro, foram relatados problemas em estabelecimentos da Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Suécia. Segundo autoridades, hackers exploraram vulnerabilidades em um software responsável pelo controle dos equipamentos de refrigeração.
Os ataques também atingiram bancos de sangue franceses. O comissário de Agricultura e Alimentação da União Europeia, Christophe Hansen, afirmou que a repetição dos episódios representa uma tentativa deliberada de interromper a cadeia de abastecimento alimentar e abalar a confiança dos consumidores.
A autoria das invasões e das ameaças não foi identificada. Autoridades ocidentais suspeitam que os episódios possam fazer parte de uma onda de operações de sabotagem atribuídas à Rússia, que negou envolvimento; especialistas também demonstraram ceticismo diante de reivindicações feitas por grupos russos.
O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou que os incidentes poderiam ter como objetivo criar pânico. Para Peter Neumann, professor de Estudos de Segurança do King's College London, os episódios apresentam características de operações híbridas, que buscam provocar desordem e sensação de ameaça.
O governo irlandês declarou que parece provável a existência de uma campanha coordenada de desestabilização. Ciaran Martin, ex-funcionário britânico responsável por questões de segurança cibernética, avaliou que a onda de incidentes já produziu um efeito psicológico sobre a população.
O Reino Unido também orientou a população a se preparar para possíveis interrupções de até três dias em serviços essenciais, como água e eletricidade. As recomendações incluem manter em casa água, alimentos, pilhas e dinheiro em espécie.
Fonte: O Globo