Usman Muhammad, um dos sobreviventes de uma detenção em Minna, na Nigéria, relatou que 33 companheiros de cela morreram em 17 de setembro de 2026, enquanto outros quatro morreram posteriormente no hospital. Os detidos estavam em uma unidade do Nigeria Security and Civil Defence Corps (NSCDC), após serem presos sob suspeita de garimpo ilegal.
Segundo Muhammad, mais de 50 pessoas foram colocadas em uma cela de cerca de 6 metros por 3 metros, com ventilação limitada a uma pequena abertura no alto da parede. Ele descreveu calor extremo, umidade superior a 90% e espaço insuficiente para que os presos permanecessem sentados.
O sobrevivente afirmou que os detidos pediram água e ajuda depois que um homem desmaiou. Ele também relatou que alguns presos tiveram dificuldade para respirar e chegaram a beber a própria urina ou recolher o suor do corpo para tentar resistir à desidratação.
Outro sobrevivente, Adamu Isah, disse à Reuters que os presos gritaram e tentaram arrombar a porta ao perceber que havia pessoas morrendo. De acordo com ele, a porta só foi aberta na quinta-feira, quando os agentes encontraram os corpos.
As mortes provocaram protestos e ataques a prédios públicos, enquanto familiares e moradores exigiram explicações. O governador do estado de Níger, Umaru Bago, defendeu a investigação do caso.
Inicialmente, autoridades federais atribuíram as mortes a um possível surto de difteria. As circunstâncias, porém, passaram a ser investigadas após os relatos dos sobreviventes sobre as condições da cela e possíveis omissões dos agentes.
O governo federal criou uma comissão com dez integrantes para apurar as causas das mortes, identificar responsáveis e recomendar medidas legais. O ministro do Interior, Olubunmi Tunji-Ojo, afirmou que nenhum agente será protegido e que tentativas de obstruir a investigação serão tratadas com rigor.
Fonte: O Globo