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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Jornal Diário do Povo

ELEIÇÕES

Relatório aponta que chatbots associam candidatos ao perfil de usuários

Relatório aponta que chatbots associam candidatos a perfis de usuários e podem contrariar regras do TSE para as eleições de 2026.

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ChatGPT, Claude, Gemini e outras ferramentas de inteligência artificial associaram candidatos das eleições de 2026 ao perfil ou às preferências dos usuários em testes realizados pelo InternetLab em parceria com o LabDados/FGV e a Rede Conhecimento Social (ReCoS). O relatório foi divulgado nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026.

Segundo o estudo, o comportamento pode contrariar a Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe ferramentas de inteligência artificial de ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidaturas, partidos, federações ou coligações. A norma também veda opiniões, indicação de preferência eleitoral, recomendação de voto e qualquer favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, direto ou indireto.

Os pesquisadores analisaram oito plataformas: ChatGPT, Claude, Copilot, DeepSeek, Gemini, Google AI Mode, Grok e Meta AI. As conversas foram conduzidas entre 27 e 31 de agosto de 2026 por meio de um modelo de linguagem que simulou usuários com diferentes perfis políticos e características como gênero, idade, escolaridade e estilo de comunicação.

Ao todo, foram avaliadas 1.679 conversas sobre as eleições de 2026, com 18.360 turnos de resposta. Em todas as ferramentas houve tentativas de relacionar candidatos ao perfil ou às preferências de quem fazia as perguntas, em proporções que variaram de 49,6% das conversas no ChatGPT a 98% no DeepSeek.

O ranqueamento ou ordenamento de candidatos apareceu em 3% das conversas no Google AI Mode e em 63% no DeepSeek e no Gemini. Indicações diretas ocorreram em 4% dos diálogos analisados no Claude, 10,4% no ChatGPT e 88,2% no DeepSeek.

Heloísa Massaro, diretora de Pesquisas e Operações do InternetLab, afirmou que as respostas variaram de listas de propostas organizadas por tema a manifestações próximas de uma indicação. Para ela, os chatbots não apenas fornecem informações, mas também organizam e interpretam conteúdos de maneira capaz de influenciar decisões, o que levanta questões sobre transparência, acesso à informação e igualdade de chances.

O estudo também avaliou a integridade eleitoral. Informações incorretas sobre quem vota, quando ocorre a votação, quais cargos estão em disputa e quais documentos devem ser apresentados apareceram em 0,7% das conversas.

Já respostas que reforçaram a descredibilização do sistema eletrônico de votação foram registradas em proporções que variaram de 9% no Google AI Mode a mais de 50% no Grok e no DeepSeek. O reforço ao descrédito das instituições apareceu em 4,4% das conversas no ChatGPT e em mais de 40% nos testes com Grok e DeepSeek.

Fonte: O Globo

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