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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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POLÍTICA

Master transfere R$ 1,44 bilhão em precatórios a empresa ligada a delator

Banco Master transferiu R$ 1,44 bilhão em precatórios para empresa ligada a delator antes de ser liquidado pelo Banco Central.

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O Banco Master transferiu, entre 7 e 9 de outubro de 2025, R$ 1,44 bilhão em créditos de precatórios para a Entre Investimentos, empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro e controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, que posteriormente firmou acordo de colaboração premiada. A operação ocorreu cerca de um mês antes de o Banco Central determinar a liquidação do Master, em novembro daquele ano.

Os contratos previam que a Entre pagaria R$ 1,28 bilhão pelos direitos, com desconto de 10,8%. Em ação apresentada à Justiça, a liquidante do banco afirmou que não há, até o momento, comprovação de que os pagamentos tenham sido feitos ao Master nem identificação da origem dos recursos ou ativos eventualmente entregues como contrapartida.

A liquidante não apontou fraude na negociação, mas alegou que a operação pode ter integrado um mecanismo de circulação e ocultação patrimonial em benefício de Vorcaro. A ação busca impedir que a Entre transfira ou dê outra destinação aos ativos enquanto as operações são investigadas.

Os seis contratos envolvem créditos relacionados às companhias Açucareira Central Sumaúma, Usina Catende, Usina São João, Açucareira Paraíso, Usina Outeiro e Agrícola Baixa Grande. Os precatórios correspondem a indenizações reivindicadas por usinas de açúcar contra a União, em razão do antigo controle de preços exercido pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool.

O Master contratou os escritórios das advogadas Camilla Ramos e Dalide Corrêa para atuar em processos sobre os créditos na Justiça Federal do Rio de Janeiro e do Distrito Federal. Camilla é mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, enquanto Dalide foi diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público, o IDP.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro levaram a Polícia Federal a interpretar a expressão “turma do KN” como possível referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. O ministro negou ter votado a favor de Vorcaro ou do Master, trocado mensagens com o banqueiro ou autorizado terceiros a falar em seu nome.

O escritório de Camilla afirmou que mantém contrato com o Master há quase três anos, para processos específicos, e que não recebeu pagamentos a título de pró-labore ou honorários de êxito. A banca também declarou que nenhum dos casos em que atua para o banco tramita no STF ou tem vínculo com ministros da Corte.

Dalide informou que atuou em processo envolvendo a Usina Catende na primeira e na segunda instâncias, mas nunca no STF. O gabinete de Gilmar Mendes disse que a advogada não foi sócia do IDP, que o ministro não tem conhecimento de atuação dela em processos sobre precatórios do setor sucroalcooleiro e que ela nunca tratou desse assunto com ele.

Em setembro de 2026, Freixo Júnior firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF. Segundo informações publicadas pelo GLOBO, o empresário relatou pagamentos feitos a pedido de Vorcaro e recursos movimentados para o banqueiro, incluindo transferências relacionadas ao filme “Dark Horse”.

Fonte: O GLOBO

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