A líder da oposição venezuelana María Corina Machado tentou retornar ao país três vezes entre segunda-feira, 21 de setembro, e terça-feira, 22 de setembro, em viagens aéreas e marítimas com origem no Panamá, segundo sua equipe. As tentativas foram frustradas.
O terceiro deslocamento estava previsto em um manifesto de voo da Cidade do Panamá para Curaçao, ilha sob soberania neerlandesa localizada a cerca de 80 quilômetros da costa venezuelana. O nome da opositora aparece no documento com um passaporte panamenho.
De acordo com Pedro Urruchurtu, assessor de relações internacionais de María Corina, as três tentativas elevam para sete o número de operações bloqueadas nas últimas semanas. "Não a deixam voltar ao próprio país", escreveu ele na rede social X.
A primeira tentativa ocorreu na segunda-feira, em uma embarcação que partiria do Panamá para a Venezuela. Segundo a jornalista Idania Chirinos, a empresa responsável cancelou a viagem após alegar problemas mecânicos.
Na manhã de terça-feira, María Corina tentou embarcar em um avião com destino a Aruba, de onde seguiria por mar até a Venezuela. A aeronave não chegou a decolar. À tarde, uma nova viagem para Curaçao também não resultou no retorno.
A presença da opositora no manifesto com um documento panamenho provocou críticas de aliados do chavismo, que interpretaram o registro como possível concessão de nacionalidade. Pessoas ouvidas pelo jornal espanhol El País afirmaram, porém, que o Panamá emite documentos de viagem para refugiados e apátridas, além de passaportes especiais por razões humanitárias, sem que isso represente cidadania panamenha.
As tentativas ocorreram no mesmo período em que Delcy Rodríguez participa da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O episódio coincide com negociações entre Washington e Caracas, enquanto María Corina permanece fora da Venezuela.
María Corina está no Panamá desde uma tentativa anterior de retorno, após embarcar em uma aeronave particular com destino a Curaçao. Segundo veículos americanos, a operação inicialmente teria recebido aval de Washington, mas a autorização foi posteriormente retirada.
Trump negou ter pedido que a opositora não retornasse à Venezuela. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou anteriormente que ela tem o direito de voltar ao país quando quiser.
Fonte: O Globo