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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Mãe pede cirurgia urgente para venezuelano baleado pelo ICE no Texas

Mãe de venezuelano baleado por agente do ICE no Texas pede cirurgia urgente para retirar bala alojada perto da coluna do filho.

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A mãe do venezuelano Wilber Rafael Garcés Pérez pediu uma cirurgia urgente para retirar a bala alojada próxima à coluna do filho, baleado no domingo por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) em Austin, no Texas. O migrante, de 28 anos, permanece sob custódia federal e, segundo a família e sua advogada, sente dores e perdeu movimentos no lado esquerdo do corpo.

Flor Pérez afirmou que o filho foi levado duas vezes a um hospital, mas retornou ao centro de detenção sem a retirada do projétil. Segundo ela, Garcés recebeu apenas analgésicos e precisa de uma cama hospitalar.

Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira a partir do centro de detenção, Garcés disse que o disparo fraturou sua clavícula. A advogada Kate Lincoln-Goldfinch informou depois que ele foi transferido novamente para um hospital após apresentar paralisia no lado esquerdo, além de inchaço e dor.

De acordo com Lincoln-Goldfinch, Garcés foi algemado nas mãos e nos tornozelos durante uma transferência e levado para uma sala isolada, depois que funcionários do centro retiraram seus privilégios de comunicação. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) contestou as acusações e afirmou que o venezuelano recebeu atendimento médico 24 horas por dia, além de negar que ele tenha ficado sem analgésicos ou dormido no chão.

A advogada disse que Garcés fazia uma entrega para a plataforma DoorDash quando uma caminhonete preta sem identificação atingiu seu carro. Segundo ela, o venezuelano não sabia que o veículo pertencia ao ICE e fez um retorno antes de o carro ser atingido novamente e os agentes atirarem contra ele.

O DHS apresentou outra versão e afirmou que Garcés era alvo de uma abordagem direcionada a um veículo. O órgão o classificou como um imigrante sem status legal para permanecer nos Estados Unidos e disse que sua autorização de trabalho havia expirado no ano passado.

Imagens divulgadas pelo Departamento de Polícia de Austin mostram agentes se aproximando do carro e detendo Garcés, mas não registram o momento do disparo. Os vídeos captam vários tiros e mostram a camiseta do venezuelano sendo cortada, revelando uma possível perfuração nas costas.

O agente do ICE responsável pelo disparo não usava câmera corporal, segundo fontes ouvidas pela CBS News. Autoridades locais e estaduais pediram uma investigação independente sobre o caso.

Paralelamente, Lincoln-Goldfinch entrou com uma ação na Justiça federal para impedir a deportação de Garcés. O juiz Orlando Garcia determinou que ele compareça pessoalmente a uma audiência em 30 de setembro, o que bloqueia temporariamente sua retirada dos Estados Unidos, segundo a advogada.

Familiares afirmam que Garcés entrou legalmente no país há quase três anos, por meio do programa de parole humanitário, e mantinha um pedido de asilo em andamento. Eles também dizem que o venezuelano enviava dinheiro para a família na Venezuela, onde vive seu filho, que tem paralisia cerebral e depende de medicamentos e tratamentos.

Fonte: O Globo

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