O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, por falta de espaço na agenda, segundo integrantes do governo brasileiro.
O pedido de encontro foi encaminhado pela missão do Brasil nas Nações Unidas. De acordo com a versão brasileira, a curta permanência de Lula nos Estados Unidos impediu a conversa.
Lula retornou ao Brasil na terça-feira, 22 de setembro, após discursar na abertura do debate da Assembleia Geral. A viagem foi encurtada devido à proximidade das eleições de outubro.
Na segunda-feira, 21 de setembro, o presidente se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador americano Bernie Sanders.
O pedido venezuelano ocorreu durante a reorganização das relações internacionais de Caracas. Delcy Rodríguez assumiu o comando interino da Venezuela em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.
Durante a passagem pelos Estados Unidos, Lula criticou a influência de Washington sobre o governo venezuelano e defendeu a realização de eleições no país. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, o presidente afirmou que a relação estabelecida pelos americanos compromete a soberania venezuelana.
“Se eu fosse a Delcy, eu convocava eleições o mais rápido possível”, disse Lula, ao defender que os venezuelanos escolham quem deve governar o país. Ele também manifestou preocupação com o controle de Washington sobre as decisões do governo interino.
O tema voltou ao discurso de Lula na ONU, na terça-feira. Ao abordar a situação da América Latina, o presidente defendeu que os venezuelanos decidam o futuro do país sem interferência externa e criticou a divisão do mundo em zonas de influência.
Fonte: O Globo