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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Incêndios na Indonésia provocam 175 mil casos respiratórios

Incêndios florestais na Indonésia provocam 175 mil casos de doenças respiratórias e afetam países vizinhos com fumaça intensa.

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Cerca de 175 mil pessoas apresentaram doenças respiratórias na Indonésia desde agosto, em meio à fumaça de incêndios florestais que atingem o país há semanas. Mais de 40 mil casos envolvem crianças pequenas, com registros de tosse, bronquite e pneumonia.

Segundo reportagem da BBC, o número de atendimentos mais que dobrou no início de setembro. Os registros passaram de 50.891 em 1º de setembro para 113.336 nove dias depois.

A fumaça também atingiu áreas da Malásia e de Cingapura, onde a qualidade do ar chegou à categoria considerada insalubre. Na Indonésia, os incêndios provocaram o fechamento de escolas e o aumento das internações hospitalares em diferentes regiões.

O governo mobilizou mais de 54 mil agentes e dezenas de aeronaves para combater o fogo nas ilhas de Bornéu e Sumatra. As operações enfrentam dificuldades devido à extensão das áreas atingidas e à presença de terrenos de turfa, que dificultam a extinção das chamas.

“Do ar ao solo, todas as forças continuam em ação”, afirmou na segunda-feira o secretário de Gabinete da Indonésia, Teddy Indra Wijaya. Segundo ele, as ações buscam apagar os incêndios, reduzir os efeitos da fumaça e proteger a população.

A Indonésia registra incêndios florestais regularmente durante a estação seca, geralmente entre julho e outubro. Neste ano, o fogo e a fumaça foram intensificados pelo fenômeno associado a condições extremamente secas conhecido como El Niño “Godzilla”.

A plataforma independente Nusantara Atlas identificou cerca de 734 mil focos de incêndio no país até 23 de setembro. O número é mais de 30% superior ao registrado em 2019, uma das temporadas mais severas de incêndios florestais na Indonésia. Desde janeiro, pelo menos 895.657 hectares foram queimados.

Os incêndios também afetaram a fauna, incluindo orangotangos criticamente ameaçados de extinção. Um animal resgatado em uma plantação de óleo de palma em Kalimantan Ocidental recebeu tratamento emergencial para hipóxia, mas morreu posteriormente.

Na semana passada, grupos indígenas e organizações da sociedade civil de Kalimantan Ocidental ajuizaram uma ação coletiva contra o governo central e administrações locais. Eles acusam as autoridades de negligência deliberada no combate aos incêndios, segundo o advogado do grupo, Glorio Sanen.

A Indonésia realizou operações de semeadura de nuvens nas semanas anteriores para tentar conter o fogo. A técnica busca estimular a chuva com substâncias lançadas em nuvens já existentes, mas sua eficácia é motivo de divergência entre meteorologistas.

As autoridades do estado malaio de Sarawak também fizeram uma operação de cinco dias para tentar reduzir a fumaça e elevar o nível de represas hidrelétricas antes de um período de estiagem previsto para outubro. Nas Filipinas, moradores foram orientados a permanecer em ambientes fechados, enquanto Cingapura passou a divulgar boletins diários sobre a qualidade do ar.

Fonte: O Globo

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