Cerca de 175 mil pessoas na Indonésia desenvolveram doenças respiratórias desde agosto, em meio à fumaça provocada por incêndios florestais que atingem o país há semanas. Mais de 40 mil casos envolvem crianças pequenas, com registros de tosse, bronquite e pneumonia.
Os atendimentos mais que dobraram entre 1º e 9 de setembro, passando de 50.891 para 113.336, segundo reportagem da BBC. A fumaça também atingiu partes da Malásia e de Cingapura, onde a qualidade do ar chegou à categoria considerada insalubre.
Na Indonésia, os incêndios provocaram o fechamento de escolas e o aumento das internações hospitalares. O governo mobilizou mais de 54 mil agentes e dezenas de aeronaves para combater as chamas nas ilhas de Bornéu e Sumatra.
As operações enfrentam dificuldades por causa da extensão das áreas afetadas e das características dos terrenos de turfa, que tornam o fogo mais difícil de apagar. "Do ar ao solo, todas as forças continuam em ação", afirmou o secretário de Gabinete da Indonésia, Teddy Indra Wijaya.
A estação seca, que normalmente ocorre entre julho e outubro, favorece incêndios recorrentes no país. Neste ano, a fumaça e o fogo foram intensificados pelo fenômeno conhecido como El Niño "Godzilla", associado a condições extremamente secas.
A plataforma independente Nusantara Atlas identificou cerca de 734 mil focos de incêndio na Indonésia até 23 de setembro. Desde janeiro, pelo menos 895.657 hectares foram queimados, segundo os dados citados na reportagem.
Os incêndios também atingiram a fauna. Um orangotango encontrado em uma plantação de óleo de palma em Kalimantan Ocidental morreu após ser resgatado e receber tratamento de emergência para hipóxia.
Grupos indígenas e organizações da sociedade civil de Kalimantan Ocidental ingressaram com uma ação coletiva contra o governo central e administrações locais. Eles acusam as autoridades de negligência deliberada no combate aos incêndios, segundo o advogado Glorio Sanen.
A Indonésia realizou operações de semeadura de nuvens para tentar provocar chuva, algumas com apoio de integrantes das Forças de Autodefesa do Japão. A técnica busca estimular precipitações por meio da introdução de substâncias em nuvens já existentes, mas sua eficácia é motivo de divergência entre meteorologistas.
Os efeitos da fumaça alcançaram outros países do Sudeste Asiático. Nas Filipinas, autoridades recomendaram que os moradores permanecessem em ambientes fechados; em Cingapura, passaram a ser divulgados boletins diários sobre a qualidade do ar.
Fonte: O Globo