A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Nova York, nos Estados Unidos, para participar da Assembleia Geral da ONU mobilizou 129,3 mil publicações e 1,9 milhão de interações nas redes sociais entre 20 e 22 de setembro, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque.
Além do discurso de Lula na terça-feira, 22 de setembro, o encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e as críticas à viagem dominaram o debate digital. A esquerda respondeu por 44% das publicações, a imprensa por 32% e a extrema direita por 24%.
O eixo com maior volume de repercussão tratou das reuniões de Lula com lideranças progressistas na segunda-feira. O presidente se encontrou com Mamdani, com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e com o senador americano Bernie Sanders. O tema representou 30% das publicações e 34% das interações, com a esquerda concentrando 60% do volume.
A reunião com Mamdani foi o principal motor desse eixo. Segundo o conteúdo analisado, os dois discutiram o fim da escala 6x1 no Brasil, a defesa da democracia e o enfrentamento do extremismo e da desinformação. Durante o encontro, eles trocaram camisetas de futebol do Corinthians e do New York City FC; de acordo com o Palácio do Planalto, a reunião foi solicitada pelo prefeito.
Entre os perfis ligados à direita, o maior volume de interações esteve associado aos ataques à viagem, com referências ao caso Master e à crise política brasileira. O tema representou 9% das publicações totais e 17% das interações, enquanto a extrema direita concentrou 54% do engajamento. Postagens da oposição classificaram a passagem por Nova York como um palanque eleitoral e uma fuga das crises no Brasil, além de questionarem o tamanho da comitiva, que teve 73 pessoas autorizadas a viajar.
O pico da repercussão ocorreu durante o pronunciamento de Lula na Assembleia Geral da ONU. O tema alcançou 20,6 mil postagens às 13h de terça-feira, maior volume do período. A imprensa respondeu por 38% das publicações sobre o discurso, com destaque para os temas do multilateralismo, da reforma da ONU, da Venezuela e das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Na fala, Lula afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e disse que o mundo voltou a presenciar ingerência externa em processos eleitorais, em referência a movimentos recentes do governo americano.
Fonte: O Globo