A Casa Branca defendeu, em petição apresentada na terça-feira (22), a decisão do presidente Donald Trump de impedir o acesso de jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico às dependências da sede do governo americano.
Segundo o documento, Trump concluiu que os veículos violaram normas de conduta ao divulgar supostas falsidades verificáveis sobre segurança nacional e outros temas, além de informações sensíveis ou sigilosas.
A Casa Branca afirmou que o acesso às instalações é um privilégio, não um direito, e sustentou que a medida não viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O governo também argumentou que presidentes anteriores privilegiaram determinados jornalistas em detrimento de outros.
A decisão foi anunciada por Trump na sexta-feira (18), em uma publicação na rede Truth Social. No sábado (19), jornalistas dos três veículos tiveram o acesso bloqueado e suas credenciais de imprensa foram confiscadas.
Na segunda-feira (21), CNN, MS NOW e Politico recorreram à Justiça contra a medida. As empresas alegam discriminação baseada na linha editorial, violação da liberdade de imprensa e falta de aviso prévio antes da expulsão.
O juiz federal Timothy J. Kelly marcou para esta quarta-feira (23) uma audiência de urgência sobre o pedido de liminar apresentado pelos veículos. A solicitação busca suspender o bloqueio até o julgamento da ação principal.
A petição do governo incluiu cartas enviadas aos três veículos, com acusações relacionadas a reportagens específicas. A CNN foi citada por uma reportagem de janeiro de 2026 sobre detalhes classificados ligados ao bunker da Ala Leste; a MS NOW, por uma reportagem de junho sobre a avaliação de Trump a respeito do Irã; e o Politico, por uma publicação sobre o financiamento do salão de festas da Casa Branca e medidas de segurança.
Em 2018, Kelly determinou a devolução das credenciais do repórter da CNN Jim Acosta, expulso da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump. Na ocasião, o juiz considerou que o presidente não havia dado aviso suficiente para que o jornalista contestasse a decisão.
Outras organizações de imprensa manifestaram apoio aos veículos. O grupo formado por ABC News, CBS News, NBC News, Fox News e CNN suspendeu a cobertura em tempo integral de Trump, enquanto alguns meios deixaram temporariamente de publicar fotos de eventos do presidente.
Fonte: O Globo