A Casa Branca defendeu, em uma petição apresentada na terça-feira (22), a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de restringir o acesso de jornalistas da CNN, da MS Now e do Politico às instalações da presidência.
Segundo o governo, os veículos teriam violado normas de conduta ao divulgar falsidades verificáveis sobre segurança nacional e outros temas, além de publicar informações sensíveis ou sigilosas. O documento afirma que o acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito.
A petição sustenta que a medida não viola a Primeira Emenda da Constituição americana e está de acordo com precedentes de presidentes que concederam acesso diferenciado a jornalistas. A Casa Branca também classificou a decisão como preliminar e informou que os veículos poderiam contestá-la até sexta-feira.
Trump anunciou o banimento na sexta-feira anterior, em uma publicação na rede Truth Social, na qual acusou os três veículos de divulgar ficção e mentiras. No sábado, jornalistas das empresas tiveram o acesso barrado, e suas credenciais de imprensa foram confiscadas.
Na segunda-feira, CNN, MS Now e Politico recorreram à Justiça. Os veículos afirmam que a decisão discrimina as empresas por sua linha editorial, viola direitos assegurados pela Primeira Emenda e foi tomada sem aviso prévio adequado.
O juiz federal Timothy J. Kelly marcou para esta quarta-feira (23) uma audiência de urgência sobre o pedido de liminar apresentado pelos veículos. Eles querem suspender o banimento até o julgamento definitivo da ação.
As cartas enviadas pela Casa Branca citam reportagens específicas como supostas violações. A CNN foi mencionada por uma reportagem de janeiro de 2026 sobre detalhes classificados relacionados ao bunker da Ala Leste; a MS Now, por uma matéria de junho sobre a avaliação de Trump a respeito do Irã; e o Politico, por uma publicação sobre o financiamento do salão de festas da Casa Branca.
Em 2018, Kelly determinou a devolução das credenciais do repórter da CNN Jim Acosta, expulso da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump. Na ocasião, o juiz concluiu que o presidente não havia dado aviso suficiente para que o jornalista contestasse a medida.
Outras organizações jornalísticas demonstraram apoio aos veículos banidos. O consórcio formado por ABC News, CBS News, NBC News, Fox News e CNN suspendeu a cobertura em tempo integral de Trump, enquanto algumas empresas deixaram temporariamente de publicar fotos de eventos do presidente.
Fonte: O Globo