O Camp Mystic, no Texas, Estados Unidos, passou a ser alvo de uma investigação criminal sobre as mortes de 27 meninas durante uma enchente em 4 de julho de 2025. Documentos judiciais mostram que investigadores obtiveram mandados para acessar comunicações eletrônicas dos proprietários do acampamento em busca de possíveis provas de homicídio culposo ou negligência.
A enchente ocorreu antes do amanhecer, quando o rio Guadalupe transbordou e atingiu o acampamento cristão para meninas. Morreram 25 campistas, duas monitoras adolescentes e o proprietário do local, Richard Eastland. Ao menos 136 pessoas morreram nas inundações ao longo do rio.
Segundo o depoimento de Brant Johnston, dos Texas Rangers, o acampamento tinha planos de emergência inadequados, não realizava treinamentos ou simulados e contava com poucos monitores adultos em algumas cabanas. O investigador afirmou que os responsáveis acompanhavam alertas de inundação durante a madrugada, mas não teriam retirado as crianças das áreas mais baixas.
Johnston também declarou que a Camp Mystic, LLC teria conhecimento de um risco substancial e injustificável de morte para as crianças sob seus cuidados. Nenhuma acusação criminal havia sido formalmente apresentada até a publicação da reportagem.
Advogados das famílias das vítimas receberam positivamente os mandados de busca, mas disseram que as medidas demoraram. O corpo de Cile Steward, uma das campistas mortas, ainda não foi localizado. De acordo com Johnston, integrantes da família Eastland e outros funcionários em posições de liderança se recusaram a prestar depoimentos.
O Camp Mystic não reabriu em 2026 e entrou com pedido de recuperação judicial.
Fonte: O Globo